Anemia em pacientes HIV-positivos: causas e tratamento

    Augusto Constantino

    Antes falarmos da anemia em paciente HIV-positivo é importante realçar que  quando o HIV infecta uma pessoa, ele vai debilitando o sistema imunológico, permitindo que o organismo esteja propenso as infecções oportunistas e alguns tipos de câncer.

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    A pessoa torna-se imunodeficiente à medida que o vírus destrói as células imunológicas, chegando ao estado da SIDA, que pode aparecer entre 2 e 15 anos depois da infecção. Para se combater o HIV é necessário o uso de uma terapia combinada de dois ou mais fármacos anti-retrovirais.

    Apesar de não curar, estes fármacos impedem a replicação viral, fortalecendo o organismo para combater as infecções oportunistas e outras enfermidades. Apesar deste benefício, o TARV tem estado relacionado à reacções adversas, como a anemia por AZT.

    A anemia é definida como concentrações abaixo do normal da hemoglobina (12 g/dL para mulheres e 13
    g/dL para homens, isto é, para adultos). A anemia nos pacientes HIV-positivos está bem documentada, determinando menor tempo de vida e maior risco de progressão para SIDA, particularmente nas formas graves, definida como Hb<8g/dL.

    Em indivíduos HIV-positivos tem se reportado com frequência a anemia na raça negra, bem como pelo uso de fármacos, como a Zidovudina.

    As outras causas que levam a existência da anemia em indivíduos HIV-positivo são as infecções oportunistas por tuberculose, micobactéria intracelular aviária, Citomegalovírus, Cryptosporidium; ou pelas neoplasias (linfoma do tipo não-Godgkin), bem como supressão da medula óssea pelo HIV, perda crónica de sangue (em sarcoma de Kaposi) ou malabsorção por infecção protozoária crónica.

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    A anemia pode ser classificada quanto: a cinética, ao grau de gravidade e morfologia.

    Classificação da anemia

    1. Quanto à Cinética.

    Anemia pode ser ferropénica causada pela deficiência de ferro; Anemia megaloblástica devida à deficiência da vitamina B12, ácido fólico ou por transtornos congénitos da síntese do DNA, transtornos da síntese do
    DNA induzido por drogas e toxinas; Anemia aplástica caracterizada por pancitopenia periférica, defeito do
    microambiente medular ou dos factores de crescimento e supressão imunológica dos precursores hematopoiéticos;  Anemias hemolíticas causadas por destruição (hemólise) dos eritrócitos de várias causas

    2. Quanto ao grau de gravidade.

    Grave se a Hemoglobina (Hb) <7 g/dL; Moderada quando a Hb estiver entre 7 e 9,9 g/dL; Leve se a Hb>10 g/dL.

    3. Quanto à morfologia.

    Observa-se o volume corpuscular médio (VCM), porque permite classificar e desenvolver uma estratégia no diagnóstico das anemias. Assim, se o VCM <81 dL (microcítica); VCM 82-92dL (normocítica) e, VCM >94 dL
    (macrocítica).

    Aspectos Nutricionais em Pacientes HIV-Positivos

    Sobre os aspectos nutricionais em pacientes portadores do HIV, o Relatório da Situação de HIV/SIDA e Nutrição em Moçambique (2008) afirma que:

    “(…) A situação nutricionalindividual de pessoas vivendo com HIV/SIDA é afectada devido a maiores necessidades de energia para lutar contra infecções oportunistas e contra o vírus do HIV. Uma boa nutrição ajuda a adiar e reduzir a vulnerabilidade ao impacto das infecções.

    Pessoas vivendo com HIV/SIDA têm de manter uma dieta adequada tanto em quantidade como em qualidade para fortalecer o sistema imunitário e lutar contra infecções oportunistas. Em particular, as pessoas que tomam medicamentos para infecções oportunistas ou as que estão a fazer tratamento anti-retroviral necessitam de uma dieta que assegure adequado consumo quer de calorias quer de nutrientes (…).

    De acordo com os estudos científicos actuais, o efeito do HIV na situação nutricional começa cedo no decurso da doença, mesmo antes da pessoa ter consciência de estar infectada com o vírus. O HIV afecta a situação nutricional ao provocar reduções no consumo dietético, má absorção de nutrientes e alterações metabólicas que culminam com a perda de peso e emagrecimento, ambas comuns em pacientes de SIDA (…).

    Avaliação do estado nutricional

    Existem vários parâmetros para avaliação do estado nutricional em seres humanos, mas se tem usado mais o índice de massa corporal (IMC). Este indicador apesar da sua facilidade de uso, fácil determinação, baixo custo e alta reprodutibilidade, ele não distingue a massa gordurosa da proteica, dificultando assim a avaliação nutricional mais correcta, isto é em todas as situações, quer para alguém obeso ou para uma pessoa musculosa.

    O CDC (Centro de Controlo de Doenças dos Estados Unidos) tem apurado o uso deste indicador a partir de crianças de 2 anos de idade, apesar de haver parâmetros que podem contribuir em um falso IMC como o tamanho da cabeça e
    a proporção dorso/pernas.

    Tratamento da anemia

    O tratamento para anemia varia de acordo com o que está causando a doença, podendo incluir a toma de remédios, suplmentação ou alimentação rica em ferro, por exemplo.

    Nos casos mais graves, em que não é possível controlar a anemia utilizando estas formas mais simples, o médico pode sugerir uma transfusão de sangue ou até de medula óssea. Porém, esses casos são raros e, normalmente, acontecem devido a doenças genéticas.

    Confira aqui o guia completo de tratamento.

    Docente universitário, formado em farmácia. Com mestrado em Teologia e análises clínicas. Webdesigner...possui vários sites na internet inclusive o site Augusto Constantino onde posto material didático e relevante para áreas de farmácia, nutrição, teologia e marketing digital.