Diarréia: causas e tratamento

    Augusto Constantino

    Diarreia se entende como a emissão de fezes de consistência líquida ou pastosa uma. ou mais vezes nas 24 horas. É importante para o prático não confundir a diarreia verdadeira com a falsa diarreia.

    Em muitos casos podemos reconhecer a falsa diarreia pelo fato de encontrarmos, misturados à parte líquida das fezes, fragmentos fecais e algumas vezes, verdadeiras cíbalas. Um outro erro é o seguinte: os doentes queixam-se de diarreia porque sentem vontade de evacuar a todo o momento, porém, estudando o síndroma reto-sigmoideano, veremos que não se trata de fezes verdadeiras, mas, de produtos anormais como muco, pus e sangue.

    Tendo em conta a multiplicidade da causa de origem da diarreia podemos dividi-la em dois grupos: 1. Diarreias de origem intestinal e 2. Diarreias de origem extra intestinal (psíquicas, neuróticas, humorais, endócrinas).
    Quanto ao mecanismo de produção da diarreia entram em jogo o aumento do peristaltismo e o aumento da secreção. Estes dois elementos podem agir isolados ou em conjunto.

    Um ponto importante que devemos frisar é que, em cada caso, a diarreia é apenas um sintoma e, como tal, não é mais que uma manifestação concomitante ou parcial de uma moléstia caracterizada pelo seu quadro clínico mais ou menos complexo.

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    Epidemiologia da diarreia

    As doenças diarreicas continuam sendo um dos principais problemas de saúde pública a no mundo contribuindo com cerca de 9% das mortes em crianças menores de 5 anos de idade. Todos anos, cerca de 2,500 milhões de casos de diarreia ocorrem em crianças menores de cinco anos de idade, e as estimativas sugerem que a incidência se manteve relativamente estável ao longo das últimas duas décadas.

    A diarreia é uma doença comum em países em desenvolvimento, particularmente na África sub-sahariana, devido a problemas de saneamento, acesso a água potável e higiene. Estima-se que 2,5 biliões de pessoas carecem de instalações de saneamento, e quase um bilião de pessoas não têm acesso à água potável.

    Causas – tipos – da diarreia

    Como vínhamos dizendo a diarreia pode ser de origem intestinal ou extra intestinal. As diarreias de origem intestinal distinguimos a forma difusa e a forma localizada, sem esquecermos de um factor muito importante que é a origem do agente nocivo, isto é, se este provem do conteúdo ou da parede intestinal.

    Dividimos as diarreias de origem intestinal em agudas, crónicas e intermitentes. As causas da diarreia aguda são de natureza infecciosa ou tóxica (como bactéria ou vírus, incluindo as toxinas produzidas pelas bactérias), mas, também podem residir em um distúrbio agudo da função digestiva que pode ter como ponto de partida a boca (no caso de comer rapidamente, mastigando mal) ou o estômago (no caso de ingerir alimentos de difícil digestão ou irritantes pela sua baixa temperatura).

    Abrindo parênteses temos a dizer que as bactérias tais como Escherichia coli, Shigella spp., Campylobacter spp. e Salmonella spp., juntamente com Vibrio cholerae durante as epidemias são as principais causas de diarreicas. O tratamento de infecções bacterianas, porém, é um motivo de grande preocupação devido ao aparecimento de estirpes resistentes a múltiplas drogas, um fenómeno que tem graves implicações para os países em desenvolvimento onde os antibióticos mais recentes e caros estão frequentemente indisponíveis.

    Nas diarréias crônicas é importante fazer a distinção entre as afecções difusas ou enterocolites e as afecções colíticas. E m alguns casos do segundo tipo pode, em certas circunstâncias, estabelecer-se nitidamente a localização (tiflite, colite superior e inferior protosigmoidite, proctite).

    Nas diarreias devidas a factores psíquicos, como , medo, angústia, espera –se que se encontrem nos oradores, nos actores, estudantes, etc. Também devemos lembrar que em muitos casos de diarreia psíquica se encontram graus levíssimos de natureza inflamatória das últimas partes do intestino, verificando-se a diarreia sob o influxo do processo psíquico. Podemos também encontrar diarreia como consequência de moléstias nervosas orgânicas.

    A diarreia devida às perturbações das glândulas de secreção interna e dos estados anafiláticos têm uma certa relação com o grupo precedente. O distúrbio intestinal mais frequente observado no hipertireoidismo é a diarreia que pode preceder os sintomas usuais e vir sob a forma de crises.

    Tratamento da diarreia

    O tratamento da diarreia é bastante simples e ao mesmo tempo pode requerer muita atenção e cuidado. Aqui iremos apenas relatar o tratamento da diarreia aguda que acomete a maior parte dos casos.

    Alguns princípios gerais:

    • A diarreia aguda de qualquer etiologia e em qualquer idade é, na grande maioria das vezes, um processo auto-limitado;

    • As complicações e causas de morte mais importantes são a desidratação e a desnutrição;

    • Os casos graves de diarreia necessitam de tratamento de emergência;

    • A absorção de sais (electrólitos) e glicose se mantém durante a diarreia;

    • A manutenção da alimentação na diarreia aguda é benéfica pois impede a deterioração do estado nutricional da criança e permite a regeneração do epitélio intestinal;

    • A maior oferta de alimentos após a diarreia é importante na recuperação nutricional.

    O uso do SRO (Sais de Reidratação Oral) é fundamental durante a diarreia. O SRO contém geralmente os seguintes electrólitos: Sódio, Cloro, Citrato, Potássio e Glicose.

    O uso de medicamentos deve ser excepção nos casos de diarreia aguda. Os anti-microbianos ficam reservados aos casos de diarreia que apresentam sangue nas fezes (disenteria) e que, após a reidratação, mantém comprometido o estado geral, e aos casos graves de cólera:

    • Nos pacientes com sangue nas fezes e comprometimento do estado geral, recomenda-se a administração de Trimetoprim/Sulfametaxazol na dose de 50 mg/kg/dia de sulfa, divididas em 2 tomadas, durante 5 dias.

    • Nos casos de cólera grave , a droga recomendada para maiores de 8 anos é tetraciclina 50 mg/kg/dia dividida em 4 doses, durante 3 dias. Abaixo de 8 anos recomenda-se Trimetoprim/Sulfametaxazol 50 mg/kg/dia de sulfa dividida em 2 tomadas, durante 3 dias

    • A identificação, em vezes diarréicas, de trofozóitos de Giárdia lambia e de Entamoeba histolítica recomenda o tratamento com Metronidazol (15 mg/kg/dia e 30 mg/kg/dia respectivamente) divididos em 3 doses diárias durante 5 dias. A confirmação destes e de outros parasitas deve ser feita pelo exame o parasitológico de fezes.

    Docente universitário, formado em farmácia. Com mestrado em Teologia e análises clínicas. Webdesigner…possui vários sites na internet inclusive o site Augusto Constantino onde posto material didático e relevante para áreas de farmácia, nutrição, teologia e marketing digital.

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