Teoria da criação

Não vamos nos prolongar em descrever cada teoria existente no mundo a respeito. Mas, o nosso compromisso é com a bíblia por isso nos centralizaremos na descrição bíblica da teoria  da criação.

Exposição Bíblica da teoria da Criação

São duas as palavras com que a Escritura designa a ação criadora de Deus: bara’ (criar) e ‘asah (fazer). A primeira é, sem dúvida, a mais importante, e aparece, sobretudo nos versículos 1,21,27, ou seja, quando se pretende frisar o início de todos os seres em geral, dos seres animados e dos seres espirituais, respectivamente.

O certo é que não há possibilidade de exprimir, por palavras humanas, essa obra maravilhosa de Deus, que transcende toda a ciência, por muito profunda e completa que seja.

O significado exato de bara’ não é fácil de determinar. Numa das suas formas significava originariamente “cortar, separar” e passou a ser utilizada apenas para indicar a ação divina de trazer à existência algo inteiramente novo. No vers. 1 a idéia de criação exclui materiais já existentes, podendo então dizer-se que as coisas foram produzidas “do nada”. Mas nos vers. 21 e 27 nada obsta a que se tenham utilizado materiais preexistentes.

O principal é sublinhar o significado de bara’ que apenas supõe a produção dum ser, completamente novo, que antes não existia.

Os dias da Criação

E que dizer dos “dias” em que se operou a criação? Há quem suponha tratar-se de dias de 24 horas, uma vez que se mencionam tardes e manhãs, ou então admitir-se apenas uma visão dramática, já que a história se apresentou a Moisés numa série de revelações, que duraram seis dias. Sugestões interessante e curiosas, sem dúvida, mas que não passam de conjeturas, o mesmo sucedendo à teoria moderna, segundo a qual o “dia” representaria uma idade geológica. Para isso supunha-se que o sol, supremo regulador do tempo planetário, não existia durante os primeiros três dias; de resto, a palavra “dia” em 2.4 estende-se aos seis dias da criação; por outro lado, em diferentes textos da Escritura o mesmo vocábulo refere-se a períodos de tempo ilimitado, como no Sl 90.4. A principal dificuldade que se levanta contra esta última interpretação é a  alusão a “tarde” e a “manhã”, mas pode admitir-se que a obra da criação figuradamente seja caracterizada por épocas bem definidas.

É espiritual e religioso o objetivo da narração de Gn 1. A formação dos seres vem manifestar as relações entre Deus e as criaturas de sorte que só a fé as compreenderá devidamente: “Pela fé entendemos que os mundos pela Palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” (Hb 11.3). Só o crente, portanto, compreenderá o alcance da narração; mas não admira que por vezes surjam hesitações, perante as dificuldades de interpretação.

Mas a narrativa tem ainda um segundo objetivo: o de pôr o homem em contato com toda a criação, ou melhor, o de colocá-lo em posição de primazia perante todos os seres criados. Por isso vemos Deus a agir gradualmente na Sua obra criadora, que atinge, com a formação do homem, o ponto culminante dessa obra-prima de Deus.

No Princípio, Criou Deus (v.1). A expressão No princípio é enfática, e chama a atenção para o fato de um princípio real. Outras religiões antigas, ao falarem da criação, afirmam que esta ocorreu a partir de algo já existente. Referem-se à história como algo que ocorre em ciclos perpétuos. A Bíblia olha para a história de modo linear, com um alvo final determinado por Deus. Deus teve um plano na criação, o qual Ele levará a efeito. Declaração sintética que introduz os seis dias da atividade criadora. A verdade desse versículo magnífico foi afirmada com júbilo por poetas (Sl 102.25) e profetas (Is 40.21). No princípio Deus. A Bíblia sempre toma por certo e jamais discute a existência de Deus. Embora todas as coisas tenham tido um começo, Deus sempre existiu (SI 90.2). No princípio. Jo 1.1-10, que ressalta a obra de Cristo na criação, inicia com a mesma expressão. Deus criou. O substantivo hebraico Elohim está no plural, mas o verbo está no singular – esse uso gramatical é comum no Antigo Testamento quando há referência ao Deus único e verdadeiro. No Antigo Testamento hebraico, o verbo traduzido por “criar” é usado no tocante à atividade divina, nunca à humana, os céus e a terra. “todas as coisas” (Is 44.24). O fato de Deus ter criado tudo é ensinado também em Ec 11.5; Jr 10.16; Jo 1.3; Cl 1.16 e Hb 1.2. O ensino positivo e gerador de vida do v. 1 é maravilhosamente resumido em Is 45.18.

Terra (2). O centro desse relato, sem forma e vazia. Essa locução, que só ocorre depois em Jr 4.23, dá estrutura ao restante do capítulo. O “separar” e o “ajuntar” que Deus realizou do primeiro ao terceiro dia produziu a forma; o “fazer” e o “encher” do quarto ao sexto dia eliminaram o vazio. trevas […] abismo. Completa o quadro de um mundo que aguarda a palavra de Deus para fazer raiar a luz, produzir ordem e gerar a vida. E, ou “mas”. O quadro impressionante (e aterrorizante para o homem primitivo) do estado original da criação visível é amenizado pela proclamação majestosa de que o poderoso Espírito de Deus se move sobre a criação. Essa proclamação antecede as palavras criadoras que Deus profere em seguida. Espírito de Deus. Estava atuante na criação, e seu poder criador continua até hoje (v. Jó 33.4; SI 104.30). se movia sobre. Como uma ave que sustenta seus filhotes e os protege (v. Dt 32.11; Is 31.5). A figura de linguagem pode também evocar o disco alado do sol, que em todo o antigo Oriente Médio era símbolo da majestade divina.

Sem forma e vazia (v. 2). A expressão hebraica (tohu wabhohu) contém algo de onomatopéico que parece significar: desolação e vacuidade. Em Is 45.18, onde aparece o termo bohu não contradiz aquele significado e dá a entender que Deus não abandonou a terra que criou: “Não a criou vazia, mas formou-a para que fosse habitada”. O caos era um meio, não um fim.

Disse Deus (3). Pela palavra do Senhor foram feitos os céus” (Sl 33.6). Cfr. Jo 1.1-3. Luz (3). O caráter primário da luz, mesmo antes do sol, é um dos postulados da ciência moderna. A palavra hebraica para luz é `or, e refere-se às ondas iniciais de energia luminosa atuando sobre a terra. Posteriormente, Deus colocou luminares (hb. ma`or, literalmente luzeiros , v.14) nos céus como
geradores e refletores permanentes das ondas de luz. O propósito principal desses luzeiros é servir de sinais demarcadores das estações, dias e anos (vv. 5,14).

Era boa a luz (4). Sete vezes Deus declara que aquilo que Ele criara era bom (vv. 4,10,12,18,21,25,31). Cada parte da criação por Deus efetuada, executou plenamente a sua vontade e propósito. Deus criou o mundo para revelar a sua glória e para ser um lugar onde a raça humana pudesse compartilhar da sua alegria e vida. Note como Deus executou a obra da criação de conformidade com um plano e uma ordem:

A tarde e a manhã (5). Atendendo à linguagem poética do texto, “manhã” não deve significar, aqui, a segunda metade do dia. O dia começava de manhã; seguia-se a tarde, e depois a manhã que seguia a tarde era o começo do segundo dia, que por isso terminava o primeiro. E foi a tarde e a manhã: o dia primeiro. Essa identificação é repetida seis vezes neste cap. (vv. 5,8,13,19,23,31). A palavra hebraica para dia é yom. Normalmente significa um dia de vinte e quatro horas (cf. 7.17; Mt 17.1), ou a porção em que há luz, nas vinte e quatro horas (dia em contraste com noite, Jo 11.9). Mas
também pode referir-se a um período de tempo de duração indeterminada (e.g., tempo da sega, Pv 25.13). Note-se que em 2.4, os seis dias da criação são designados como no dia. Muitos entendem que os dias da criação eram de vinte e quatro horas, pois sua descrição diz que consistiam em uma tarde e uma manhã (v. 5; Êx 20.11). Outros crêem que tarde e manhã simplesmente significa que uma determinada tarde encerrou algum ato específico da criação, e que a manhã seguinte iniciou novo ato.

Expansão (6). É a formação da atmosfera, ou o firmamento. Produza (11). Embora se trate da criação intermédia, não se exclui a intervenção divina. Segundo a sua espécie (11). Comparando este vers. com os 12,21,24,25, fácil é interpretá-lo como se dissesse: “em todas as suas variedades”, duma variedade dentro de certos grupos gerais. Para sinais (14). Tomem-se aqui estes sinais no sentido astronômico e não astrológico, pois os corpos celestes determinam as estações e dividem o tempo.

O Propósito e o Alvo da Criação

Deus criou os céus e a terra como manifestação da sua glória, majestade e poder. Davi diz: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1; cf. 8.1). Ao olharmos a totalidade do cosmos criado — desde a imensa expansão do universo, à beleza e à ordem da natureza — ficamos tomados de temor reverente ante a majestade do Senhor Deus, nosso Criador.

Deus criou os céus e a terra para receber a glória e a honra que lhe são devidas. Todos os elementos da natureza — e.g., o sol e a lua, as árvores da floresta, a chuva e a neve, os rios e os córregos, as colinas e as montanhas, os animais e as aves — rendem louvores ao Deus que os criou (Sl 98.7,8; 148.1-10; Is 55.12). Quanto mais Deus deseja e espera receber glória e louvor dos seres humanos!

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