A BÍBLIA COMO LIVRO

Teologia
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A. EM QUEM TEVE ORIGEM A BÍBLIA?

Todos estes livros provêm de homens com uma convicção comum: Deus os destinou a formar um povo que toma lugar na história com legislação própria e normas de vida pessoal e coletiva. Foram todos testemunhas daquilo que Deus fez por esse povo e com ele. Relatam os apelos de Deus e a reação dos homens (indagações, queixas, louvor, ações de graça).

Este povo posto a caminho por Deus foi primeiramente Israel, que apareceu na história por volta de 1200 a.C., envolvido – como todos os povos vizinhos – nos movimentos que agitaram o Oriente Próximo até os inícios da nossa era. No entanto, sua religião o tornava um povo à parte. Israel conhecia um único Deus, invisível e transcendente: SENHOR.

Exprimia a relação que o unia ao seu Deus com um termo jurídico: a Aliança. Submetia toda a existência à Aliança e à Lei que dela decorria, e seu modo de vida se tornava cada vez mais contrastante com o das outras nações. Toda a parte hebraica da Bíblia se refere à Aliança, tal como foi vivida e pensada por Israel até o século II a.C..

O antigo povo judaico, cuja dispersão se acelerou com a destruição de seu centro religioso, Jerusalém, em 70 e 135 d.C., prolonga-se na comunidade judaica, cuja história movimentada e frequentemente trágica se desenvolve na maior parte do tempo em terra de exílio. As diversas tendências que o animam, todas têm por fundamento a Escritura e notadamente a Lei, venerada como a própria palavra do Senhor.

Os judeus a leem e sobre ela fundamentam sua prática no quadro de tradições que, lançando raízes na vida do antigo Israel, foram redigidas após a ruína da nação e inseridas na literatura rabínica. Ao mesmo tempo em que viu o desaparecimento da nação judaica, o século I assistiu ao nascimento da comunidade cristã, que se afastou progressivamente do judaísmo.

Para os cristãos, a história do povo de Deus tinha encontrado cumprimento em Jesus de Nazaré; foi por Ele que Deus reuniu as pessoas de todas as origens para formar um povo regido por uma nova Aliança, um novo Testamento. Era uma aliança definitiva; em contrapartida, fazia da Aliança que regia Israel uma etapa que, embora indispensável, estava destinada a ser superada.

Os cristãos denominaram-na de antiga Aliança e deram ao conjunto dos livros bíblicos recebidos de Israel o nome de Antigo Testamento (2 Co 3.14), enquanto os livros que falavam da pessoa e da mensagem de Jesus formavam o Novo Testamento. Os discípulos de Jesus e seus sucessores imediatamente que redigiram o Novo Testamento viam em Jesus aquele que concretizaria a esperança de Israel e responderia à expectativa universal tal qual expressa no seio desse próprio povo. Com toda naturalidade, utilizaram a linguagem dos livros sagrados de Israel com toda a sua densidade histórica e experiência religiosa acumulada no decorrer dos séculos.

Consequentemente, a comunidade cristã reconheceu no Antigo testamento a palavra de Deus. As Escrituras judaicas vieram a ser, então, a primeira Bíblia dos cristãos. Mas, iluminado pela fé em Jesus Cristo, o Antigo Testamento tomou um sentido novo para eles, tornou-se como que um novo livro.

Assim, judeus e cristãos se vinculam à Bíblia, mas não a lêem com os mesmos olhos. Não obstante ela continua a convidar os homens e mulheres de todos os países e de todos os tempos a ingressar no povo dos que buscam a Deus no seguimento dos patriarcas, dos profetas, de Jesus e de seus discípulos. Livro do povo de Deus, a Bíblia é o livro de um povo ainda a caminho.

Ler a Bíblia.

Os livros da Bíblia são a obra de autores ou redatores reconhecidos como portadores da palavra de Deus no meio de seu povo. Muitos dentre eles ficaram no anonimato. De qualquer modo, não estavam isolados: eram conduzidos pelo povo cujas vidas, preocupações, esperanças partilhavam, mesmo quando
se erguiam contra ele. Boa parte de sua obra se inspira nas tradições da comunidade. Antes de receber forma definitiva, estes livros circularam durante
muito tempo entre o público e apresentam os vestígios das reações suscitadas em seus leitores, sob a forma de retoques, anotações e até de reformulações mais ou menos importantes. Os livros mais recentes são por vezes reinterpretação e atualização de livros mais antigos (como, por exemplo, as Crônicas, com relação a Samuel e Reis).

A Bíblia está profundamente marcada pela cultura de Israel, povo que teve, como todos os outros, um modo próprio de compreender a existência, o mundo que o circundava, a condição humana. Exprime sua concepção do mundo, não numa fi-losofia sistemática, mas em costumes e instituições, em reações espontâneas dos indivíduos e do povo, através das características originais de sua língua. A cultura hebraica evoluiu no decorrer dos séculos, conservando, porém, determinadas constantes.

A civilização de Israel tem muitos pontos em comum com as civilizações dos outros povos do antigo Oriente. Apesar disso, o antigo Oriente não explica tudo na Bíblia; a linguagem dos livros foi modelada pela história própria de Israel, única em seu gênero. Muitas das palavras da Bíblia – particularmente no Novo testamento – estão carregadas de uma experiência religiosa milenar. Para detectar toda sua riqueza, é preciso levar em consideração o contexto de toda a Bíblia e da vida das comunidades que prolongam a existência do antigo Israel.

Isto explica por que, muitas vezes, é difícil para o homem de hoje compreender plenamente a Bíblia. Entre ela e ele se interpõe uma distância considerável: o afastamento no tempo, a diferença de cultura e, mais profundamente, a distância que um texto escrito sempre introduz entre a mensagem original e
o leitor.

Para reduzir a distância, recorre-se à exegese, isto é, a uma explicação do texto. Cada época teve seus métodos. De dois ou três séculos para cá, o cidente viu desenvolver-se uma exegese histórica, à qual a civilização técnica forneceu instrumentos (especialmente a arqueologia científica). Sua intenção é estabelecer com exatidão o texto bíblico, compreender exatamente o sentido das palavras, situar o texto em seu ambiente original.

É o resultado deste vasto trabalho que as introduções e as notas de A Bíblia – Tradução Ecumênica resumem.

A Bíblia, Palavra de Deus.

Quem lê a Bíblia constata que não constitui simplesmente um antigo tesouro literário ou uma mina de documentação sobre a história das ideias morais e religiosas de um povo. A Bíblia não é somente um livro no qual se fala de Deus; ela se apresenta como um livro no qual Deus fala ao homem, como atestam os autores bíblicos: Não se trata de uma palavra sem importância para vós: é vossa vida (Dt 32.47). Estes sinais foram escritos neste livro para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome (Jo 20.30-31).

Nenhuma leitura poderá desconhecer essa função do texto bíblico, essa interpelação constante, essa vontade de transmitir uma mensagem vital e de atrair a adesão do leitor. O leitor é livre para resistir e pode apreciar a Bíblia apenas como um literato ou um apreciador da história antiga. Mas se ele aceitar entrar em diálogo com os autores que dão testemunho da própria fé e suscitam a necessidade de uma decisão, a questão fundamental, o sentido da vida, não deixará de ser enfrentada por ele. Pois a Bíblia e a fé – à qual ela convida de modo tão premente -, embora estejam profundamente enraizadas numa
história particular e bastante longa, ultrapassam a história. Os autores bíblicos querem ser os porta-vozes de uma Palavra que se dirige a todo homem, em todo tempo e lugar.

Através dos séculos, as comunidades cristãs de todas as línguas e de todas as culturas encontraram e encontram alimento neste livro, cuja mensagem meditam e atualizam. Não é sem razão que nos cultos ou celebrações se leem ou se cantam os Salmos, o Antigo Testamento, as Epístolas, com o Evangelho; sua unidade é a unidade da fé. Fundamentada nesse testemunho da Bíblia, a fé não deixa de encontrar ali vida e força. O leitor (mesmo não-crente) sabe que esta fé existe hoje, que ela é -nas comunidades e algumas vezes fora delas – um certo modo de o homem viver a relação com os outros homens e de agir no meio deles, uma modalidade particular de existir que é fermento da história humana.

Assim, a Bíblia sempre remete o leitor à fé vivenciada, como também a vivência da fé sempre remete à Bíblia, na qual a fé lança suas raízes.

  1. É assim que nesta Bíblia será traduzido o nome próprio do Deus de Israel (cf. Êx 3.14-15).
  2. Aliança e Testamento são duas traduções da mesma palavra hebraica (cf. Hb 9,15 nota).
  3. Para evitar qualquer mal-entendido, seria melhor falar do primeiro e do Segundo Testamento, sendo um imprescindível à compreensão do outro.
  4. Ver, por exemplo, as introduções a Isaías e a Ezequiel.

A prova concludente do amor divino encontra-se no fato de que o Senhor Deus se revelou ao homem, e esta revelação ficou registrada em um livro que nós chamamos de Bíblia.

B. O VOCÁBULO BÍBLIA

O Vocábulo Bíblia não é encontrado nas páginas das Sagradas Escrituras, mas somente em sua capa. Sua origem vem do vernáculo grego.

  1. BIBLOS (grego) – Folha de papiro preparada para escrita.
  2. BIBLION (grego) – Rolo pequeno de papiro ou pergaminho (livro).
  3. BÍBLIA (grego) – Plural de biblion, ou seja, a coleção de pequenos rolos (livros).

C. TÍTULOS DA BÍBLIA

  1. SAGRADAS ESCRITURAS – Rm 1.2; II Tm 3.15
  2. ESCRITURAS – Lc 24.27,45 (Testemunho de Jesus sobre o VT)
  3. ESCRITURA – Jo 10.25; II Tm 3.16
  4. PALAVRA DE DEUS – Mc 7.13; Rm 10.17; Hb 4.12
  5. PALAVRA DA VERDADE – // Tm 2.15
  6. ESCRITURA DA VERDADE – Dn 10.21
  7. O LIVRO DO SENHOR – Is 34.16

Obs.: Outros nomes e títulos são encontrados em toda a Bíblia.

D. FORMA PRIMITIVA DOS LIVROS DA BÍBLIA

  1. ROLOS: Eram tiras de pergaminhos ou papiros enrolados. A tira era presa a dois cabos de madeira para facilitar o manuseio. Cada livro era um rolo em separado. Quando um rolo ficava gasto pelo uso, um grupo de estudiosos, chamados “massoretas”, copiava os textos em novos rolos, com extremo cuidado. Usualmente os rolos antigos eram destruídos posteriormente.
  2. O CÓDICE: É um primitivo livro parecido com o formato atual, mas de grandes proporções.

Obs.: Hoje a Bíblia é o Livro mais lido em todo o mundo e, isso se tornou possível graças à invenção do papel no século II da era Cristã, pelos chineses,e a criação dos prelos de tipos móveis pelo alemão Gutenberg em 1450. Embora não tivesse sido o primeiro livro a ser escrito, foi o primeiro a ser impresso (1450). Atualmente mais de 30.000.000 de cópias são impressas a cada ano. A Bíblia (Velho e Novo Testamentos), já foi traduzida para mais de 1.090 idiomas e dialetos diferentes.

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