Via de administração oral: absorção de medicamentos

absorção de medicamentos
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Na maioria das vezes, os medicamentos são produzidos com a intensão da administração oral e para serem deglutidos. No entanto, acontece que pouca quantidade do fármaco (ou parte ativa de um medicamento) é absorvida até que ele chegue no intestino delgado, embora que alguns fármacos não polares que são colocados, por exemplo, debaixo da língua são absorvidos diretamente na boca.

Neste sentido, por ser mais importante, iremos tratar da absorção dos fármacos no intestino e quais são os fatores envolvidos nesse processo.

Absorção de medicamentos no intestino

O mecanismo de absorção da maioria dos fármacos é o mesmo de outras barreiras epiteliais, ou seja, transferência passiva a uma velocidade que é determinada pela ionização e lipossolubilidade das moléculas do fármaco.

Como esperado, bases fortes com pKa de 10 ou mais são pouco absorvidas, assim como os ácidos fortes com pKa inferior a 3, porque estão totalmente ionizados. Existem alguns casos em que a absorção intestinal depende de transporte mediado por transportadores, e não da difusão simples.

Para este último caso, os exemplos incluem a levodopa, muito usada no tratamento da doença de Parkinson, liga-se ao transportador que normalmente transporta a fenilalanina. O ferro é absorvido com o auxílio de transportadores específicos na superfície da mucosa jejunal e o cálcio é absorvido por um transportador dependente de vitamina D.

Fatores que afetam a absorção gastrointestinal de medicamentos

administração oral
Tomar medicamento por via oral pode ser necessário beber cerca de 250 mL de água. Imagem Drauzio Varela

Aproximadamente 75% de um fármaco administrado por via oral é absorvido em 1 a 3 horas. No entanto, alguns fatores fisiológicos ou os relacionados com sua formulação podem alterar essa absorção. Esses fatores incluem conteúdo intestinal (alimentado ou em jejum), motilidade gastrointestinal, fluxo sanguíneo esplâncnico, tamanho da partícula e formulação, assim como fatores físico-químicos, incluindo algumas interações entre fármacos.

Alimentação pode afetar a administração oral de medicamentos?

A influência da alimentação, que altera tanto o conteúdo intestinal como o fluxo de sangue esplâncnico, é rotineiramente examinada em fases precoces dos ensaios clínicos, e os conselhos de prescrição são elaborados de acordo com eles.

São inúmeros exemplos de alimentos que podem afetar a absorção dos fármacos. Iremos dar o exemplo do leite que contêm iões de cálcio que podem interagir com as tetraciclinas e formar um composto insolúvel, incapaz de ser absorvido.

A motilidade gastrointestinal tem grande efeito. Por exemplo, muitos distúrbios (enxaqueca, neuropatia diabética, entre outros) causam estase gástrica, reduzindo a absorção de fármacos. O tratamento com fármacos também pode afetar a motilidade, reduzindo-a (fármacos que bloqueiam receptores muscarínicos) ou aumentando-a (metoclopramida, um antiemético usado no tratamento da enxaqueca para facilitar a absorção de analgésicos).

Peristaltismo

O movimento excessivamente rápido do conteúdo intestinal (como nalguns tipos de diarreia) pode comprometer a absorção de medicamentos. Diversos fármacos (como o propranolol) alcançam uma concentração plasmática mais alta se tomados após uma refeição, provavelmente porque o alimento aumenta o fluxo sanguíneo esplâncnico.

Por outro lado, esse fluxo é acentuadamente reduzido por hipovolemia ou insuficiência cardíaca, com consequente redução na absorção de fármacos.

Leia mais sobre a motilidade do tubo gastrointestinal.

Tamanho de partícula

O tamanho da partícula e a formulação exercem importantes efeitos sobre a absorção de medicamentos administrados pela via oral. Às vezes, os comprimidos provenientes de diferentes fabricantes podem resultar em concentrações plasmáticas muito diferentes, apesar de terem o mesmo conteúdo (concentração) de fármaco nos comprimidos. Isso pode acontecer pelas diferenças no tamanho das partículas.

No corpo humano, as partículas coloidais devem passar pela camada de muco que reveste o trato gastrointestinal antes da absorção, que têm poros com tamanhos em torno de 0,4 µm (Ozturk et al, 2015). Portanto, os fármacos devem ser formulados olhando na perspectiva de terem tamanhos inferiores a 400 nm. Se os tamanhos delas foram superiores, obviamente teremos pouco fármaco absorvido e consequentemente um efeito diferente do esperado.

Formulação

Por outro lado, os produtos terapêuticos são produzidos de modo a alcançar as características de absorção desejadas. As cápsulas podem ser projetadas para permanecer intactas por algumas horas após a ingestão para retardar a absorção; os comprimidos podem ter um revestimento resistente para produzir o mesmo efeito.

Noutros casos, faz-se uma mistura de partículas de liberação lenta e rápida na mesma cápsula, a fim de promover uma absorção rápida, mas sustentada. Sistemas farmacêuticos mais elaborados incluem diversas preparações de liberação modificada que tornam possível administração menos frequente.

Tais preparações não somente aumentam o intervalo entre as doses, como também reduzem os efeitos adversos
relacionados com os altos picos de concentração plasmática após a administração oral de uma forma farmacêutica convencional.

Quando os fármacos são engolidos, em geral, a intenção é que sejam absorvidos e causem efeito sistêmico, mas existem exceções. Por exemplo, a vancomicina é muito pouco absorvida, sendo administrada oralmente para erradicar o Clostridium difficile do tubo intestinal em pacientes com colite pseudomembranosa.

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