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Farmacologia aplicada a odontologia

Conteúdo do Curso

Total de Lições:8 lições Dura: 10 semanas

História da farmacologia

A maioria das pessoas pensa que a automedicação diz respeitoapenas ao ser humano. No entanto, diversas pesquisas já comprovaram queos animais também se automedicam. As borboletas monarcas, por exemplo,utilizam plantas medicinais para tratar seus filhotes doentes, antes mesmode eles nascerem.

O emprego de produtos naturais para curar doenças e alterar asfunções mentais não é recente. Na época em que se escreveu o papiro de Erbers (cerca de 1550 a.C.), eram conhecidas mais de 700 receitas paradiversos males.

Muitos ingredientes incorporados naquelas preparações como sangue de lagarto, cabelo de virgem, excretos de moscas, entre outros, são esquisitos se levarmos em conta os padrões modernos.

O estudo amador das plantas e produtos animais foi muito extenso e, consequentemente, rendeu grandes frutos.
Remédios folclóricos e outros medicamentos como ópio (morfina),beladona (atropina), cila e dedaleira (digitais), casca da quina (quinina equinidina), folhas de coca (cocaína) e ma huang (efedrina) resistiram aotempo e hoje fazem parte de uma lista de substâncias que auxiliam notratamento de doenças.

Uma grande barreira ao uso eficaz dessas drogas foi o elevadonúmero de materiais, geralmente presentes nas formulações farmacêuticas,como, por exemplo, a teriaga, o remédio mais popular do século XV, quecontinha mais de cem componentes diferentes.

Aureolus Paracelsus (1493 – 1541) foi o primeiro a reconhecer que amescla indiscriminada de numerosas substâncias simplesmente diluía oscompostos eficazes por acaso presentes inicialmente.

A ênfase conferida por Paracelsus aos agentes simples foi aprimorada por Felice Fontana (1720 – 1805), que deduziu de suas próprias experiências que cada droga bruta contém um “principio ativo” que, quando administrado, produz efeito característico no organismo. Uma das maiores atitudes científicas do século XIX foi o isolamento e a avaliação objetiva de tais princípios ativos.

Em 1803, um jovem farmacêutico alemão Frederick Serturner (1780 – 1841) extraiu do ópio o alcaloide morfina e, desta forma, isso marcou o início da química farmacêutica e resultou numa revolução em biologia experimental.
A disponibilidade de drogas recém-purificadas e a padronização de preparações biológicas existentes estimularam pioneiros como FrançoisMagendie (1783 – 1855) e Claude Bernard (1813-1878) a utilizar agentes farmacológicos como sondas no estudo de processos fisiológicos.

O uso do curare por Bernard para o esclarecimento da ligação neuromuscular constitui apenas um exemplo dos sucessos obtidos com estaabordagem.

Rudolf Buchhein (1820 – 1879) e Oswald Schmiedeberg (1838 –1921) foram os dois pesquisadores que maior responsabilidade tiveram em firmar a Farmacologia como ciência por direito legitimo.

Buchhein organizou o primeiro laboratório exclusivamente dedicado à Farmacologia e formou o primeiro professor de sua disciplina, Schmiedeberg, aluno de Buchehein, fundou a primeira revista científica de Farmacologia. Schmiedeberg ajudou a espalhar a aceitação da Farmacologia pelo mundo.

Um protegido de Schmiedeberg foi John Abel (1857 – 1938) considerado o pai da Farmacologia norte-americana. Inicialmente tida comociência experimental obscura, a Farmacologia expandiu-se tanto que o assunto se tornou importante área de estudo para todos os profissionais da saúde. Apresenta, igualmente, certos interesses para o publico leigo.

Na odontologia, o impacto da Farmacologia foi formalmente reconhecido pela Associação Odontológica Norte-Americana em 1934 com a publicação da premeira edição de Accepted Dental Remedies.

A Farmacologia é uma das poucas ciências médicas em que não é clara a divisão entre o básico e o clínico. A concepção da Farmacologia é extensa e, por isso, são reconhecidas diversas subdivisões:

  • Farmacodinâmica é o estudo da atividade biológica que um fármaco exerce sobre um sistema vivo. Inclui estudo do mecanismo de ação do fármaco e os processos exatos que são afetados por ele. Esse ramo da Farmacologia preocupa-se também com a influência da estrutura química sobre a ação do fármaco (relação estrutura-atividade).
  • A Farmacocinética trata da magnitude e da passagem do tempo do efeito do fármaco. Tenta explicar esses aspectos da ação do fármaco levando em consideração a dose e a absorção, distribuição e destino das substâncias químicas nos sistemas vivos.
  • Farmacoterapeutica é a seleção adequada de um agente em que o efeito biológico sobre um organismo vivo é o mais apropriado para tratar de um estado doentio particular. Exige consideração de, entre muitas outras coisas, dose, duração da terapia e efeitos colaterais do tratamento pelo fármaco.
  • Toxicologia é o aspecto da Farmacologia que trata de venenos, suas ações, sua detecção e tratamento das condições produzidas por eles. A importância da toxicologia para a vida moderna é continuamente ressaltada por novas descobertas de riscos químicos no meio ambiente.

A prática de Farmácia compreende a preparação e dispensação de medicamentos. Embora hoje em dia raramente os farmacêuticos se incumbam de preparar efetivamente os produtos medicamentosos, eles podem ser fonte útil de informações sobre fármacos, tanto para o clínico quanto para o paciente.

A Farmacognosia foi essencial na época em que as drogas, em sua maioria, eram extraídas de plantas. Significa literalmente “reconhecimento de fármacos”, trata das características de plantas e procura identificar aquelas que possuem atividade farmacológica.

Os fármacos utilizados atualmente são, em sua maioria, sintetizados quimicamente. Mas a fotoquímica, especialmente a síntese de estruturas químicas complexas por parte das plantas, continua sendo de grande interesse.

Após uma descrição de como se classifica o estudo dos fármacos é apropriado discutir o que significa a palavra “fármaco”, em geral usada como sinônimo de droga. Para o Farmacologista, fármaco é qualquer agente químico que tem efeito sobre os processos associados com a vida.

Essa definição é obviamente muito ampla e inadequada para muitos grupos que definem o termo mais restritamente para melhor servir às suas necessidades particulares.

O terapeuta, por exemplo, considera como fármacos aqueles produtos químicos que são eficazes para tratar os estados nosológicos, ou seja, de um agrupamento de doenças.

Os órgãos do governo preocupam-se com a receita originada pelos impostos incidentes sobre a venda de certas substâncias ou com os problemas de saúde pública associados com o seu uso, como o fumo e o álcool, que são considerados, por lei, “não drogas”.

Enquanto os farmacologistas há muito tempo têm reconhecido esses agentes como drogas potentes, eles estão isentos das restrições governamentais.

Há outras substâncias que obtiveram tal status não por motivos de saúde publica. Exemplos desses são o cloro e o flúor adicionados aos suprimentos de água da comunidade e os iodetos misturados com o sal de cozinha.

Em nosso curso, os fármacos estudados incluirão quase que exclusivamente as substâncias que apresentam aplicação terapêutica conhecida. Mesmo assim, o número potencial de agentes a serem estudados é elevado.