A espiritualidade do Homem

Teologia
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Para falarmos da espiritualidade do homem é necessário conhecer intrinsicamente das duas correntes teológicas de interpretação para a composição físico-espiritual do ser humano. Essas correntes de interpretação se identificam como dicotomistas e tricotomistas.

Os Dicotomistas

A palavra dicotomista significa duas partes ou divisões. Esta teoria é seguida por um grande número de teólogos (entre eles os calvinistas): que o homem se compõe de duas partes ou divisões: a material e a espiritual. Mesmo sobre esta teoria dicotômica há pontos de vista diferentes.

A corrente mais forte da teoria dicotômica é a que considera o homem composto de duas substâncias: a material e a imaterial. Alma e espírito são, nessa teoria, a mesma coisa.

Os dicotomistas defendem que cada ser humano neste mundo é dotado de um corpo material por um eu pessoal imaterial. Tomam por certo que as Escrituras chamam isso de “alma” ou “espírito”. Entendem que “alma” dá ênfase àquilo que é distinto na personalidade consciente de uma pessoa; e que o “espírito” carrega consigo não só as nuances da personalidade derivadas de Deus, mas também a dependência dele e a distinção do corpo como tal.

O uso bíblico desses termos leva-nos a dizer que temos e somos tanto corpo, quanto alma e espírito, mas é erro pensar que alma e espírito são duas coisas diferentes.

O ponto de vista tricotômico do homem como corpo, alma e espírito é incorreto. A ideia comum de que a alma é apenas um órgão de percepção deste mundo, enquanto o espírito é um órgão distinto, que nos permite estabelecer comunhão com Deus, conduzido à vida na regeneração, está fora dos padrões do ensino bíblico, concluem.

Além do mais, tal ponto de vista nos leva a um anti-intelectualismo aleijado, que separa a intuição espiritual da reflexão teológica, empobrecendo a ambos – pois a teologia passa a ser considerada como “coisa da alma” e não espiritual, enquanto a percepção espiritual é vista como não relacionada com a tarefa de ensinar e aprender a verdade revelada de Deus.

A personificação da alma faz parte do desígnio de Deus para a humanidade. Através do corpo experimentamos nosso meio, usufruímos e controlamos as coisas que estão ao redor de nós e relacionamo-nos com outras pessoas. Nada havia de mau ou corruptível no corpo que Deus criou no início.

Se o pecado não tivesse ocorrido, o envelhecimento físico e o declínio que conduz à morte, como conhecemos, não seriam parte da experiência humana (Gn 2.17; 3.19,22; Rm 5.12).

Agora, porém, a corrupção atingiu a todos na sua natureza psico-física, como claramente mostram os desejos desordenados da mente e do corpo, guerreando um contra o outro, bem como contra todas as regras da sabedoria e da justiça.

Na morte, a alma deixa o corpo, mas isso não é a libertação feliz que a filosofia grega e algumas seitas têm imaginado.

A esperança cristã não consiste na redenção da alma em relação ao corpo, mas consiste na redenção do corpo. Aguardamos nossa participação na ressurreição de Cristo em e através da ressurreição do nosso corpo.

Ainda que desconheçamos, no presente, a exata composição do nosso futuro corpo glorificado, sabemos que haverá uma continuidade com nosso corpo atual (1Co 15.35-49; Fp 3.20- 21; CI 3.4) (Bíblia de Estudo de Genebra, p.11).

A espiritualidade do homem segundo os Tricotomistas

O conceito popular da constituição dos seres humanos é dualística: alma e corpo. Segundo este pensamento a alma é a parte espiritual invisível, interior, enquanto que  o corpo é a parte corpórea visível, exterior.

Embora haja alguma verdade nisso, ela não é, todavia, precisa. Tal opinião procede do homem caído, não de Deus; à parte da revelação de Deus, nenhum conceito é digno de confiança.

Que o corpo é o revestimento exterior do homem é, sem dúvida, correto, mas a Bíblia nunca confunde espírito e alma como se fossem idênticos. Não somente são diferentes em termos, mas suas próprias naturezas diferem entre si.

A Palavra de Deus não divide o homem em duas partes, isto é, alma e corpo. Ela trata o homem antes como sendo tripartido: espírito, alma e corpo.

Assim, lemos em 1 Tessalonicenses 5.23: “E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” Este verso mostra precisamente que o homem todo é dividido em três partes.

O apóstolo Paulo refere-se aqui à santificação completa dos crentes dizendo “vos santifique completamente”. Como, segundo o Apóstolo, uma pessoa é santificada completamente? Pela conservação do seu espírito, alma e corpo. Por isso podemos facilmente entender que a pessoa toda abrange essas três partes.

Esse verso faz também uma distinção entre o espírito e a alma, senão Paulo teria simplesmente dito “vossa alma”. Visto que Deus distinguiu o espírito humano da alma humana, nós concluímos que o homem é composto não de duas, mas de três partes: espírito, alma e corpo.

Será assunto de qualquer conseqüência dividir espírito e alma? É uma questão de suprema importância, pois afeta grandemente a vida espiritual de um crente.

Como um crente pode entender a vida espiritual se não sabe qual é a extensão da esfera do espírito? Sem tal entendimento, como pode ele crescer espiritualmente? Falhar em distinguir o espírito da alma é fatal para a maturidade espiritual.

Os cristãos freqüentemente consideram o que é da alma como sendo espiritual, e por isso permanecem num estado pertencente à alma, não buscando o que é realmente espiritual. Como escaparemos do prejuízo, se confundirmos o que Deus separou?

O conhecimento espiritual é muito importante para a vida espiritual. Devemos acrescentar, entretanto, que é igualmente importante, se não mais, que o crente seja humilde e esteja desejoso de aceitar o ensino do Espírito Santo.

Se assim for, o Espírito Santo lhe concederá a experiência da divisão do espírito e alma, mesmo que ele não tenha muito conhecimento a respeito desta verdade. Por um lado, o cristão mais ignorante, sem a menor idéia da divisão do espírito e alma, pode, contudo, experimentar tal divisão na vida real; por outro lado, o crente mais informado e completamente versado na verdade concernente ao espírito e alma, pode, não obstante, desconhecer tal experiência.

O ideal é que a pessoa possua tanto o conhecimento como a experiência. A maioria, entretanto, carece de tal experiência. Portanto, no início, é bom conduzi-los no conhecimento das diferentes funções do espírito e alma, para depois encorajá-los a buscar o que é espiritual.

Outras porções das Escrituras fazem a mesma diferença entre espírito e alma. “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções docoração” (Hb 4.12).

O escritor, neste  verso, divide os elementos não corpóreos do homem em duas partes: “alma e espírito”. A parte corpórea é aqui mencionada como que incluindo as juntas e medulas – órgãos de movimento e sensação. Quando o sacerdote usa a espada para cortar e dissecar completamente o sacrifício, nada no interior pode ficar escondido.

Cada junta e medula é separada. Da mesma forma o Senhor Jesus usa a Palavra de Deus em Seu povo para separar completamente, para penetrar até à divisão do que é espiritual, da alma e do físico.

Visto que alma e espírito podem ser divididos, conclui-se que eles devem ser diferentes em natureza. Aqui é evidente, portanto, que o homem é um composto de três partes.

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