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O termo aculturação é usado em antropologia para designa o contato entre duas ou mais culturas diferentes, bem como as transformações decorrentes em cada uma delas, por força desse contato.

Os antropólogos, especialmente Bernard Siegel, conceituam a aculturação como “uma mudança de cultura que se inicia pela conjugação de dois ou mais sistemas culturais autônomos”.

Para eles, os sistemas culturais de características próprias já estão por si mesmos em contínua transformação e, se dois ou mais se aproximam, surgem estímulos tanto para maiores mudanças internas de cada um como para outras, recíprocas, no conjunto que se formou.

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Como indicadores dessas modificações e dos significados que assumem, esses antropólogos apontam etapas como a da “transmissão intercultural” e a das “adaptações reativas”, do ajustamento por assimilação ou fusão. Tratam ainda de dois fatos sociológicos inerentes ao processo, o papel e a comunicação interculturais.

Por papel intercultural entendem a função desempenhada pelos indivíduos que entram em contato, os quais, pelo fato de jamais dominarem todos os aspectos da própria cultura, transmitem apenas parte do inventário cultural. Comunicação intercultural seria “o arcabouço da trama de papéis interculturais” que provê linhas de comunicação e de transmissão entre duas culturas.

Tipos de aculturação

  1. Livre. De maneira espontânea, pacífica, ou seja, quando não há confronto ou choque entre as culturas. Um exemplo muito comum é o sincretismo religioso, no qual há uma fusão de ritos e crenças de religiões europeias, africanas e indígenas.
  2. Forçada. Quando não há opção de escolha pela sociedade que está tendo a sua cultura subjugada. Assim, a aculturação ocorre por coerção. O batismo cristão dos jesuítas sobre os índios brasileiros pode ser enquadrado dessa forma, já que a cultura católica foi imposta pelos portugueses aos nativos.
  3. Planejada. Neste caso, a aculturação é pensada e organizada para modificar a própria cultura ou mesmo outra cultura. Por exemplo, as políticas públicas que buscam transformar o modo de vida dos indivíduos. Caso haja uma epidemia de dengue, por exemplo, podem ser planejadas medidas que modifiquem os hábitos do dia a dia das pessoas, como ter mais atenção para não deixar acumular água em vasos, garrafas e outros locais, a fim de não proliferar o mosquito transmissor da doença.

Significado do sincretismo

Segundo o antropólogo holandês André Droogers (1989) o termo sincretismo possui duplo sentido. É usado com significado objetivo, neutro e descritivo de mistura de religiões, e com significado subjetivo que inclui a avaliação de tal mistura.

Devido a essa avaliação muitos propõem a abolição do termo. Droogers informa que o termo sincretismo sofreu mudanças de significado com o tempo e que a distinção entre a definição objetiva e subjetiva tem raízes históricas.

Na antiguidade significava junção de forças opostas em face ao inimigo comum, com o primitivo sentido político. A partir do século XVII, tomou caráter negativo, passando a referir-se à reconciliação ilegítima de pontos de vistas teológicos opostos, ou heresia contra a verdadeira religião.

Embora alguns não admitam, todas as religiões são sincréticas, pois representam o resultado de grandes sínteses integrando elementos de várias procedências que formam um novo todo. No Brasil, por exemplo, quando se fala em religiões afro-brasileiras pensa-se imediatamente em sincretismo, como “aglomerado indigesto” de ritos e mitos, ou como “bricolagem” no sentido de mosaico as vezes incoerente de elementos de origens diversas”.

Costuma-se atribuir também o termo sincretismo em nosso país, quase que exclusivamente ao catolicismo popular e às religiões afro-brasileiras. Mas o sincretismo está presente tanto na Umbanda e em outras tradições religiosas africanas, quanto no Catolicismo primitivo ou atual, popular ou erudito, como em qualquer religião.

O sincretismo pode ser visto como característica do fenômeno religioso. Isto não implica em desmerecer nenhuma religião, mas em
constatar que, como os demais elementos de uma cultura, a religião constituí uma síntese integradora englobando conteúdos de diversas origens. Tal fato não diminui mas engrandece o domínio da religião, como ponto de encontro e de convergência entre tradições distintas.

Ver: SINCRETISMO AFRO-BRASILEIRO E RESISTÊNCIA CULTURAL

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