Betalaínas: pigmento natural com ações antioxidante

uma fonte natural das betalainas

Betalaínas são pigmentos naturais hidrossolúveis e elas ocorrem em plantas que pertencem ao gênero Caryophillales, sendo exemplo delas a beterraba (Beta vulgaris ssp), o cato (Opuntia ficusindica L), a crista-de-galo (Celosia cristata) e a erva-tintureira (Phytolacca americana L.).

Elas podem apresentar as cores amarelo-laranja ou vermelho-violeta, dependendo da planta originária. A estrutura básica das betalainas encontra-se representada na figura 1, de onde é possível observar que elas compõem um grupo de substâncias nitrogenadas com uma porção de ácido betalâmico (A), presente em todas moléculas das betalaínas e outra porção (B) que é constituída pelos resíduos R1 e R2 que caracterizam as betalaínas como sendo betaxantinas ou betacianinas.

betalaínas

Figura 1. Estrutura química básica das betalaínas: (A) porção de ácido betalâmico presente em todas as moléculas das betalaínas. (B) dependendo da identidade dos resíduos R1 e R2, a estrutura representará uma betacianina ou uma beta-xantina.

Estrutura química das betalaínas

As betaxantinas (figura 2) são formadas por condensação de aminoácidos ou aminas biogênicas com ácido betalâmico. As betaxantinas mais comumente estudadas são a indicaxantina, o principal pigmento amarelo da espécie Opuntia, e a vulgaxantina I (glutamina como substituinte), abundante betaxantina na Beta vulgaris.

betaxantinas

Figura 2. Estrutura química das betaxantinas: (A) Vulgaxantina I e (B) Indicaxantina.

Por outro lado uma betacianina possui uma porção aglicona designada betanidina (figura 3.), que é o resultado da condensação do ácido betalâmico e ciclo-3,4-di-hidroxifenilalanina (ciclo-Dopa).

betanidina

Figura 3. Estrutura química da betanidina.

A outra porção é a glicolisada nas posições 5 ou 6. Nestas posições a betanidina podem ligar-se com glicosídeos e acilglicosídeos, favorecendo assim a existência de diversas estruturas betacianínicas.

As ligações que mais ocorrem nas betanidinas são as 5-O-glucosilado e também podem ocorrer muito raramente as ligações 6-O-glucosilato, não havendo simultâneas ligações glucolisadas nas duas posições. A betanina e a gonferinina II são os exemplos das ligações 5-O-glicosilado e 6-O-glicosildo, respectivamente.

Betanina: propriedades e actividades biológicas

betanina - uma das betalaínas mais pesquisada

A betanina é um pigmento com a cor vermelha, podendo ser encontrada em Beta vulgaris, Opuntia sp e na família Amarantheceae. A sua cor não varia com o pH, sendo estável no intervalo de 3 – 7; ela tem sido aplicada em iogurtes, sorvetes, sopas, saladas, produtos farmacêuticos e cosméticos.

Muitos estudos têm mostrado diferentes resultados positivos quanto a atividade biológica da betanina. A atividade antioxidante desse pigmento é a que mais tem sido reportada na literatura e a partir desta foram estudados muitos efeitos benéficos e protetores de células, tecidos e órgãos. Ela protege a LDL (low density lipoprotein) da oxidação, pode estar envolvida na redução do dano ao DNA.

A atividade antioxidante da betanina é aproximadamente 3 a 4 vezes mais potente que o ácido ascórbico, catequina e rutina. A atividade antioxidante está relacionada com a eliminação dos radicais livres devido a presença do grupo hidroxilo e iminino, bem como a ligação 5-O-glicosilado.

Embora a betanina possua essas características benéficas, ela é sensível a luz e a temperatura, o que limita a sua aplicação em alimentos. Como forma de resolver essa situação a encapsulação da betanina mostra-se ser um método eficaz para a proteger contra a ação da luz e de temperaturas elevadas.

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Autor: Augusto Constantino

Augusto Bene Tomé Constantino é Moçambicano. Nasceu na cidade de Chimoio, província de Manica. Formado em Farmácia pela Universidade Zambeze, leciona curso de Licenciatura na Faculdade de Ciências de Saúde da UniZambeze. Trabalha com microencapsulação de compostos bioativos usando biopolímeros de origem vegetal.

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