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Reinfecção pelo coronavírus: como é possível?

Este artigo tem como obejetivo descrever como é possível uma reinfecção pelo coronavírus. Através de relatos de casos ao nível mundial, saberemos o porquê uma pessoa pode ter uma segunda infecção. Tudo baseado na ciência.

Como podemos perceber, a pandemia tem deixado luto a milhões de pessoas e famílias pelo mundo inteiro. Isso permitiu a mobilidade de vários setores (públicos e privados) a começarem com a busca da cura, tratamento ou mesmo prevenção por meio de vacinas. Aliás, várias vacinas foram criadas e muitos países estão a adotá-las.

Tudo que você precisa saber a respeito da covid-19 você encontra no portal do governo.

Para quem não sabe como a vacinação pode ajudar as pessoas, aqui descrevemos um pouco a respeito. A vacinação tem como objetivo “dispertar” o nosso sistema imunológico para combater uma determinada infeção. Isso pode ser feito através de administração de uma pequena quantidade do agente causador ou parte dele, e também pode ser feito por meio de administração de antígenos. Essas substâncias ou microrganismos vão ativar o nosso sistema imunológico (criando anticorpos) de modo a criar defesa para os eventuais próximos ataques.

Além da administração por meio de vacinas, nosso organismo também pode desenvolver anticorpos por meio da imunidade adquirida. Isto é, se tivermos uma determinada infeção e vencermos ou ficarmos curados, nosso organismo, logicamente, já estaria imunizado para se defender das próximas infeções.

No entanto, existem vários relatos de pessoas que foram infectadas pelo coronavírus, com testes comprovados positivo e comprovação de que foram curadas, mas que voltaram a testar positivo. Neste sentido, podemos nos perguntar como é possível a refeinfeção acontencer, se uma pessoa que já foi infectada estaria com imunidade para o vírus? Para respondermos a esta questãos vamos analisar alguns casos em particular.

foto de Jakayla Toney

Reinfecção para COVID-19 em paciente imunodeprimido

Conforme uma nota publicada ao editor para a American Journal of Medical Science, nem todas as pessoas desenvolvem anticorpos para SARS-CoV2 depois da infeção. Os autores ralataram um caso de uma mulher de 81 anos que teve teste positivo em maio de 2020 e teve sintomas leves da COVID-19, mas depois foi internada em junho por uma outra doença não relacionada e os médicos decidiram testar novamente para coronavírus e deu negativo (incluindo o teste da imunoglobulina IgG). Adicionalmente, na mulher não foi identificado qualquer anticorpo contra SARS-CoV2  durante a primeira infeção. Mas, curiosamente em julho a mulher teve que ser internada com sintomas graves da COVID-19.

Felizmente a mulher foi curada em meio a luta. Os autores do relato confirmaram assim de que é possivel uma reinfecção pelo coronavírus, principalmente para casos de pessoas imunodeprimidas e tomadndo drogas supressoras do sistema imonológico, como foi o caso da mulher (ela sofria de artrite e tomava metotrexato, um medicamento usado para tratar câncer).

Além disso, para esses casos a COVID-19 pode se tornar uma condição grave. Contudo, mais estudos são necessários para delinear os riscos de reinfecção com SARS-CoV-2 em pacientes que não desenvolvem um anticorpo detectável.

Será que a reinfecção pelo coronavírus ocorre para uma pessoa “normal”?

Essa pergunta é, sem dúvidas, uma das mais intrigantes. Vamos descrever o caso de um jovem de 25 anos, sem comorbidades, relatado no Clinical Medicine Journal. O jovem teve a primeira infeção em abril de 2020 que foi só foi confirmado em Maio, mas os sintomas desaparecem durante o mês. Curiosamente este paciente teve contacto com sua companheira em Outubro que acusou positivo para coronavírus e o jovem também.

Entretanto, o segundo episódio de infecção foi sintomaticamente distinto do primeiro, com predomínio de sintomas corizais ausentes no episódio de abril, redução da fadiga e recuperação mais rápida.

Este caso reforça a idéia de que a resposta imunológica na COVID-19 é variável e específica da pessoa, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento de anticorpos e à persistência de anticorpos no soro ao longo do tempo. Por exemplo, alguns estudos indicam que os anticorpos podem permanecer no sangue durante 120 dias e outro indicam 90 dias.

Além desse fator, temos que considerar a mutação do vírus que pode contar muito com a possível reinfecção pelo coronavírus. As mutações tornam os vírus mais fortes e com outras características como o aumento da virulência, incluindo maior capacidade de infetar, causar danos aos tecidos infectados e infeção em massa. Aliás, isso está ocorrendo nos dias de hoje, basta olharmos para os dados dessa segunda onda da COVID-19 no mundo inteiro.

Será que precisamos de vacina?

A resposta é sim. Embora aconteçam as reinfecções e existam diferentes variantes do coronavírus, isso não indica que a segunda infecção seja devido à ineficácia imunológica. Portanto, neste momento não há evidências de que uma variante do SARS-CoV-2 tenha surgido como resultado da evasão imunológica. Por enquanto, uma vacina será suficiente para conferir proteção contra todas as variantes circulantes. Além disso, a reinfecção por uma variante viral distinta do coronavírus original não implica escape imunológico.

O que podemos concluir?

A reinfecção pelo coronavírus é possível, mas podem existir explicações alternativas aos testes positivos, principalmente para casos em que não existem sintomas ou se existirem podem sugerir a presença de um resfriado ou doença subjacente.

Existem evidências de que muitos vírus podem apresentar material genético em um hospedeiro por muito tempo, mesmo após a eliminação do vírus vivo e desaparecimento de sintomas. Por isso a detecção de material genético através de testes (como o RT-PCR apenas) pode não ser suficiente para determinar se a pessoa com uma infecção ativa.

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