Será que os hormonas da menopausa causam câncer da mama?

Será que os hormonas da menopausa causam câncer da mama?

A terapia de reposição hormonal, usando hormonas da menopausa, tem sido associado a aparição de câncer de mama. Será que isto continua sendo verdade? É sobre isso que este texto trata, confira abaixo:

A menopausa é um período em que a maioria das mulheres passam, tarde ou cedo esta fase da vida poderá chegar. Neste momento, as hormonas sexuais femininas, tanto o estrogênio quanto a progesterona, mantêm-se estáveis e ​​em níveis baixos.

Isso normalmente acontece por volta da idade de 50 anos. Nesta fase muitas mulheres começam a ficar com insônias, ondas de calor (até suores noturnos) e noutros momentos uma redução do bem-estar.

Para superar esses episódios a reposição hormonal tem sido alternativa. Porém, entre 2002 e 2004, a WHI (Iniciativa da Saúde da Mulher, tradução do inglês) publicou artigos mostrando haver risco de câncer de mama, devido ao uso das drogas com essas hormonas.

Bem verdade, este fenômeno tem estado a ser observado, como escreveu Kumle (2008): ” alterações nos fatores reprodutivos, uso de terapia de reposição hormonal na pós-menopausa, triagem mamográfica e fatores de estilo de vida associados à riqueza têm contribuído para o aumento do câncer de mama observado nas últimas décadas em mulheres com 50 anos ou mais de países desenvolvidos”.

Como o uso de hormonas da menopausa causa o câncer de mama?

É importante ressaltarmos aqui de que: apesar de existirem várias evidências dos fatores de risco relacionados ao câncer, não está muito claro por que algumas pessoas sem exposição ao fatores de risco desenvolvem câncer, mas outras pessoas com fatores de risco nunca o fazem.

Não obstante a isso, o Grupo Colaborativo sobre Fatores Hormonais no Câncer de Mama (2019), no seu estudo prospectivo, observou o seguinte sobre associações dos fatores de risco e o desenvolvimento do câncer da mama:

Se essas associações são amplamente causais, então para mulheres com peso médio nos países desenvolvidos, 5 anos de terapia hormonal da menopausa (THM), a partir dos 50 anos, aumentariam a incidência de câncer de mama entre 50 e 69 anos em cerca de um em cada 50 usuários de estrogênio mais diariamente preparações de progestagénio; um em cada 70 usuários de estrogênio mais preparações intermitentes de progestágeno; e um em cada 200 usuários de preparações somente com estrogênio. Os excessos correspondentes de 10 anos de THM seriam cerca de duas vezes maiores.

Normalmente, a menopausa está associada a um declínio rápido e substancial da produção de hormonas ovarianos. A idade precoce da menopausa é um fator de risco protetor para o câncer de mama.

Epidemiologicamente, é possível ver uma desaceleração da tendência crescente relacionada ao envelhecimento no risco de câncer de mama após a menopausa.

Ou seja, o uso da terapia de reposição hormonal pode manter a mulher em um estado pré-menopausa de fato, e ela não tem o benefício da menopausa na redução do risco de câncer.

Apesar disso, é importante que os médicos tomem as decisões da forma acertada sobre quando e como tomar as hormonas da menopausa.

Referências

  1. Kumle, M (2008). Declining breast cancer incidence and decreased HRT use, The Lancet. Disponível em: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(08)61255-6.
  2. Kotsopoulos, J (2019). Menopausal hormones: definitive evidence for breast cancer. The Lancet. Disponível em: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(19)31901-4
  3. Collaborative Group on Hormonal Factors in Breast Cancer (2019). Type and timing of menopausal hormone therapy and breast cancer risk: individual participant meta-analysis of the worldwide epidemiological evidence. The Lancet. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(19)31709-X/fulltext
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Autor: Augusto Constantino

Augusto Bene Tomé Constantino é Moçambicano. Nasceu na cidade de Chimoio, província de Manica. Formado em Farmácia pela Universidade Zambeze, leciona curso de Licenciatura na Faculdade de Ciências de Saúde da UniZambeze. Trabalha com microencapsulação de compostos bioativos usando biopolímeros de origem vegetal.