Salvação e recompensa: qual a doutrina certa?

salvação e recompensa

Nós agora vimos que o livro de Apocalipse é um livro de justiça. Todavia, para que possamos apreciar seus justos efeitos, precisamos fazer uma distinção entre salvação e recompensa. A palavra de Deus apresenta uma clara distinção entre essas duas palavras.

Aquilo que Deus dividiu, que o homem não ajunte. Consideremos esse assunto cuidadosamente e vejamos o contraste entre elas.

Salvação

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A salvação é aquilo que é dado de graça. Não é obtida por meio das obras do homem. Pois é Deus que nos dá graça, e não é na base do nosso mérito.

“Ó vós todos os que tendes sede [aponta para o pecador], vinde às águas [aponta para a salvação de Deus], e vós que não tendes dinheiro [aponta para as obras e ou atos de justiça]; vinde, comprai e comei [significa que todos os pecadores podem crer e serem salvos]; sim, vinde e comprai vinho e leite [significa a alegria da salvação] sem dinheiro e sem preço [aponta para o fato de que não há necessidade de bons feitos, desde que não depende da bondade de alguém]” (Is. 55.1).

“O dom de Deus” (João 4:10).

“O dom gratuito de Deus é a vida eterna” (Rom. 6.23).

“Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que nenhum homem se glorie.” (Ef. 2.8, 9).

“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito; mas, segundo a sua misericórdia ele nos salvou” (Tito 3.5).

“E quem quiser tome de graça da água da vida” (Apoc. 22.17).

Através desses versos que foram citados e por muitas outras passagens da Escritura que não foram citadas, é provado sem nenhuma dúvida que nós recebemos salvação gratuitamente e não pelas nossas obras ou atos de justiça; nós somos salvos pela graça de Deus, o dom gratuito de Deus. Tudo o que fazemos é crer.

Pois a obra da salvação é completamente operada por nós pelo Senhor Jesus. A Sua morte na cruz consumou a nossa
salvação.

Para que agora sejamos salvos e recebamos a vida eterna, não há necessidade de que executemos mais obras ou que acrescentemos mais méritos, mas simplesmente que creiamos e recebamos.

Isso porque nenhuma das nossas boas obras é aceitável para Deus. Ao longo de todo o Novo Testamento há cerca de 150 menções do tipo: crê, e serás salvo; crê, e terás vida eterna; crê, e serás justificado.

Assim que nós cremos, somos salvos, recebemos vida eterna, e somos justificados. Isso tudo é dado gratuitamente:

“… o testemunho é esse, que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está no Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 João 5.11, 12).

Todos os que recebem o Senhor Jesus como Salvador pela fé têm vida eterna, de acordo com a Palavra de Deus.

Verdadeiramente, “aquele que crer no Filho tem vida eterna” (João 3.36). Crê e terás!

Recompensa

 

A recompensa, no entanto, é um assunto diferente. Não é algo que recebemos de graça; deve ser obtida através das boas obras. É dada de acordo com os atos de cada santo.

Vejamos as seguintes Escrituras.

“Meu galardão está comigo para dar a cada um segundo a sua obra” (Apoc. 22.12). Note que essa palavra é dita à Igreja (ver v.16).

“Cada um receberá a sua recompensa de acordo com o seu próprio trabalho” (1 Cor. 3.8).

“E, tudo quanto fizeres, fazei-o de coração, como ao Senhor e não aos homens; sabendo que do Senhor recebereis o galardão da herança… Mas aquele que fizer agravo receberá o agravo que fizer” (Col. 3.23-25).

“Ora, àquele que faz qualquer obra, a recompensa não é reconhecida como graça” (Rom. 4.4).

Há muitas outras Escrituras que poderiam ser citadas, mas essas acima são suficientes para provar que a recompensa não é recebida de graça. De acordo com o ensinamento bíblico, a recompensa é acrescentada às boas obras do crente.

Por mais insignificante que seja um copo de água (Mat. 10.42), ou por mais oculto que seja o conselho do coração, (1 Cor. 4,5) ou por mais humilde que seja o serviço de alguém (Marcos 10.43) ou por mais desconhecido seja o sofrimento por amor do Senhor (Luc 6.22)–todas essas obras ou atitudes ainda poderão ter a oportunidade de serem recompensadas. (cf. Luc 6.23).

De acordo com a Bíblia, o alvo que é colocado diante de uma pessoa é duplo: quando nós somos ainda pecadores, nosso alvo é a salvação; depois de termos sido salvos e nos tornado crentes nosso alvo é a recompensa. Pois a salvação é para os pecadores, enquanto que a recompensa é para os crentes.

Os homens devem primeiro receber a salvação, e então sair à busca da recompensa. Os que perecem precisam receber salvação; e os salvos precisam ganhar a recompensa. Ao lermos Coríntios 9.24-27 e Filipenses 3.12-14, nós
podemos prontamente ver que alguns crentes falham em obter a recompensa.

Por que nessas duas passagens, Paulo fala sobre recompensa e não sobre salvação. Ele sabe muito bem que ele é salvo. Na suas outras epístolas, ele frequentemente se expressa como alguém que recebeu graça.

Mas nessas duas passagens, ele nos fala daquilo que ele está buscando depois de ter sido salvo, e isso é a recompensa. Nesse momento ele não ousa dizer que com certeza ele atingiu a salvação; pelo contrário, ele ainda a persegue.

Os pecadores devem buscar a salvação, ao passo que os salvos devem buscar a recompensa. Não importa o quão corrupto um pecador pode ser, se ele deseja crer no Senhor Jesus como Salvador, ele será instantaneamente salvo.

Uma vez salvo e regenerado, ele deve procurar desenvolver essa nova vida nele e servir ao Senhor fielmente a fim de que possa obter a recompensa. Ele é salvo por meio da obra de Cristo, ele é recompensado pelas suas próprias obras.

Ele é salvo por meio da fé; ele é recompensado pelas obras. Deus quer salvar um pecador indigno, mas Ele não recompensa um crente indigno. Antes que alguém conheça ao Senhor, se ele quer reconhecer a si mesmo como pecador, e se ele vir ao Senhor Jesus e crer na Sua morte substitutiva na cruz, ele será salvo e a benção eterna será
garantida para ele.

Mas, de acordo com as Escrituras, depois de ter sido salvo ele será colocado por Deus na carreira da vida para que ele possa trilhá-la. Se ele vencer, será recompensado. Se ele for derrotado, não será recompensado.

No entanto ele não perderá a vida eterna por causa da sua derrota. Pois a salvação é eterna.

Aqui nós encontramos o mais equilibrado ensinamento, a perfeita verdade. Infelizmente, algumas pessoas conhecem
apenas a salvação. Eles se contentam com meramente terem sido salvos e não se importam com a recompensa.

Salvação e recompensa: não haja confusão

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Quão triste é que as pessoas tenham misturado salvação com recompensa. Eles julgam que a salvação é mais difícil, exigindo seus supremos esforços de autodisciplina para atingi-la. Mas esse não é o ensinamento da Bíblia.

As Escrituras consideram a salvação como aquilo que é mais fácil de alcançar; pois o Senhor Jesus, por Sua própria iniciativa, já cumpriu tudo por nós.

Mas as escrituras consideram a recompensa como aquilo que é um tanto difícil de obter porque depende das obras que, por nossa própria iniciativa, cumprimos  através de Cristo.

Vamos ilustrar essa questão dessa forma. Suponhamos que um homem rico abre uma escola gratuita. Todos os que a freqüentam são livres de todas as despesas já que esse homem rico paga por todas elas. Mas aqueles que alcançam excelência em aprender recebem uma recompensa especial.

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Da mesma forma, a salvação pode ser comparada com entrar nessa escola gratuita. Todos os que querem vir ao Senhor Jesus são salvos porque Ele mesmo pagou o custo da salvação.

É muito fácil tornar-se um estudante nessa escola gratuita, já que não custa nada. Simplesmente vir já é suficiente. Da mesma maneira, então, a salvação é o mais fácil. Ninguém precisa fazer nada, a não ser crer.

Mas para aquele que já é contado entre os estudantes, obter recompensa não é tão fácil; ele deve trabalhar duro. Similarmente, não é tão fácil para um crente ganhar as recompensas divinas; ele deve ter boas obras.

Que nenhum leitor pense que é o suficiente ser salvo e deixe de buscar a recompensa da mesma forma. Para qualquer pessoa verdadeiramente nascida de novo, o Senhor a está chamando para perseguir a excelência espiritual – para obter recompensa.

E deveria ser para ele uma coisa natural persegui-la e obtê-la. Ainda que não para seu próprio benefício, mas para ganhar o coração e a alegria de Deus. Pois qualquer que é recompensado pelo Senhor tem alegrado o Seu coração. Assim como um pecador deve ser salvo, também um crente deve ser recompensado.

A recompensa para um crente é tão importante como a salvação para um pecador. Se um santo fracassa em alcançar a recompensa, não significa que ele sacrificou o seu lucro, mas apenas indica que a sua vida não é santa, seu labor não é fiel e que ele não tem manifestado o Senhor Jesus durante os seus dias de peregrino.

Ensinamentos recentes têm oscilado entre dois extremos. Alguns julgam a salvação como sendo algo tão difícil que demande muito das pessoas. Dessa forma, eles anulam a morte substitutiva e a obra da redenção do nosso Senhor Jesus.

Tal ensinamento põe toda a responsabilidade no homem e ignora aquilo que a Bíblia diz sobre nós sermos salvos pela graça através da fé.

Alguns outros pensam que, já que tudo é de graça, então todos os que crêem no Senhor Jesus serão não apenas salvos mas também recompensados com glória e reinarão no futuro com o Senhor Jesus.

E assim eles lançam toda a responsabilidade sobre Deus e negligenciam o que é observado nas Escrituras: que alguns crentes – apesar de serem salvos – sofrerão perda, todavia pelo fogo. (1 Cor. 3.15).

No entanto, há um ensinamento mais equilibrado aqui. Antes que um crente seja salvo, o Senhor Ele mesmo carrega a sua responsabilidade; depois que o pecador crê, ele deve carregar a responsabilidade por si próprio.

A obra da salvação é totalmente operada pelo Senhor por ele, então crer já é o suficiente. Mas essa questão da recompensa depende apenas das obras do crente, e, portanto crer somente não é adequado.

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Assim como um pecador não pode ser salvo por boas obras, um santo não pode ser recompensado por apenas crer. A salvação é baseada na fé; a recompensa é julgada pelas obras. Sem a fé, não há salvação; sem obras, não há recompensa.

Se estudarmos cuidadosamente o Novo Testamento, nós perceberemos o quão claramente Deus separa a salvação da recompensa. A salvação é para os pecadores, mas a recompensa é para os santos.

Ambas são dadas divinamente: pecadores devem ser salvos e santos devem ser recompensados. Deixar passar qualquer uma delas causaria grande perda. Não misturemos, então, salvação e recompensa.

O que é salvação? É não perecer, mas ter vida eterna. Isso é o que todos nós conhecemos. No entanto, isso não determina nossas posições na glória, já que isso é determinado pelas recompensas.

O que é recompensa? Pelas Escrituras podemos ver que recompensa é reinar com Cristo durante o reino milenar. Todo o crente tem a vida eterna; mas nem todo crente será recompensado com o direito de reinar com Cristo.

O reino dos céus no Evangelho de Mateus aponta para a parte celestial do reino milenar – ou seja, aponta para o nosso reinado com Cristo. Todo o leitor cuidadoso do Evangelho pode ver a diferença entre vida eterna e o reino dos céus.

Para ter vida eterna é requerido apenas fé, mas para ganhar o reino dos céus demanda violência a si mesmo (ver Mat. 11.12). Assim como ser salvo é ter vida eterna, ser recompensado é entrar no reino dos céus.

Apressemo-nos em direção a esse alvo. Que Deus nos habilite para abandonarmos tudo por amor dEle, a fim de que recebamos o Seu galardão. Ser salvo é algo presente e instantâneo, porque está escrito na palavra de Deus que aquele que crê tem a vida eterna (veja o Evangelho de João).

A recompensa é algo no futuro, pois a Escritura diz que quando o Senhor vier, “então cada homem receberá o seu louvor de Deus” (I Cor. 4.5). Salvação é agora, galardão é depois. Não misturemos os dois, porque há uma grande diferença entre os princípios que governam salvação e recompensa.

A salvação mostra a graça de Deus porque Ele não nos recompensa de acordo com nossos pecados, antes salva todos nós que cremos no Senhor Jesus. A recompensa expressa a justiça de Deus porque Ele recompensa os
santos de acordo com as suas boas obras.

Qualquer que o servir fielmente receberá recompensa. Nunca esqueçamos de que o nosso Deus não é apenas gracioso, nem apenas justo; o Seu caráter revela tanto graça quanto justiça.

Salvar pecadores é o Seu ato de graça; recompensar os santos é o Seu ato de justiça. Nós anteriormente observamos que o livro de Apocalipse expressa a justiça de Deus.

Saber a diferença entre salvação e recompensa é  essencial para o entendimento desse livro. Senão seria difícil explicar o justo tratamento de Deus com os santos que é delineado nestas páginas.

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Autor: Augusto Constantino

Augusto Bene Tomé Constantino é Moçambicano. Nasceu na cidade de Chimoio, província de Manica. Formado em Farmácia pela Universidade Zambeze, leciona curso de Licenciatura na Faculdade de Ciências de Saúde da UniZambeze. Trabalha com microencapsulação de compostos bioativos usando biopolímeros de origem vegetal.