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Ácidos graxos: tipos e funções no organismo

Os ácidos graxos são componentes importantes da alimentação. Como é do nosso conhecimento, a nossa dieta e alimentação possui um papel importante na nossa saúde. Um dos componentes principais da dieta, as gorduras (também chamadas de lipídios) estão implicadas em muitas funções importantes para um correto funcionamento do organismo.

As gorduras mais abundantes provenientes da dieta são os triglicerídeos, moléculas constituídas por três ácidos graxos e uma molécula de glicerol. Além dos triglicerídeos também existem lipídios complexos que são os glicerofosfolipídios e os esfingolipídios, os quais fazem parte das membranas celulares e modulam sua atividade.

O que são ácidos graxos? Como são classificados?

Os ácidos graxos são definidos como ácidos carboxílicos com cadeias hidrocarbonadas (compostos por hidrogênio e carbono), classificados segundo o comprimento da cadeia de carbonos (cadeia curta, média e longa), a presença e número de duplas ligações (saturados e insaturados) e a configuração das duplas ligações (cis e trans) (Nasciutti et al, 2015).

Os ácidos graxos são os constituintes tanto dos triglicerídeos, como dos lipídios complexos, podendo além disso formar parte do colesterol mediante esterificação. Segundo o conteúdo de dupla ligação, os ácidos graxos podem ser classificados em:

  • Saturados: os quais estão constituídos sem ligações duplas e se encontram fundamentalmente em gorduras de animais terrestres e óleos de coco e de palmeira.
  • Monoinsaturados: os quais são constituídos por uma ligação dupla em sua estrutura. Estes podem ser encontrados em óleos vegetais, como é o azeite de oliva.
  • Poli-insaturados: os quais são constituídos por mais uma ligação dupla e são encontrados principalmente em óleos de peixe.

Dentro do grupo dos ácidos graxos poli-insaturados estão o Ômega 6 e Ômega 3. Estes ácidos graxos são essenciais, ou seja, não podem ser sintetizados pelo organismo e, portanto, apenas podem ser obtidos através da dieta.

  • O ácido linoleico é o precursor do ômega 6.
  • O ácido α linolênico é o precursor do ômega 3.

Os ácidos graxos poli-insaturados Ômega 6 e Ômega 3 são armazenados em forma de glicerofosfolipídios, que passam a fazar parte das membranas celulares. Com os estímulos adequados, os glicerofosfolipídios se hidrolizam para obter os poli-insaturados, sobretudo o ácido araquidônico.

Na ingestão de ácidos graxos poli-insaturados é aconselhado um balanço entre Ômega 6 e Ômega 3, estimando que o ideal seja uma relação Ômega 6: Ômega 3 inferior a 10:1.

Os ácidos graxos poli-insaturados Ômega 6 e Ômega 3 são importantes para o metabolismo. Eles partipam na produção de compostos que geram inflamação, principalmente nas rotas metabólicas das cicloxigenases (COX) e a rota das lipoxigenases (LOX).

Os componentes inflamatórios gerados nestas vias são os eicosanoides (moléculas de caráter lipídico constituídas por 10 átomos de carbono): as prostaglandinas (PGD), prostaciclinas (PCI) e tromboxanos (TXA); no caso da via das cicloxigenases e leucotrienos (LT) e lipoxinas geradas a partir da rota das lipoxigenases.

  • As prostaglandinas, tromboxanos e prostaciclinas se relacionan com funções secretoras, digestivas, reprodutoras, circulatórias, entre outras.
  • Os leucotrienos e as lipoxinas intervêm nas respostas alérgicas, inflamatórias e imunes, e na quimiotaxia.

Os eicosanoides produzidos a partir dos ácidos graxos ômega 6, das séries 2 e 4 são mais ativos que os produzidos a partir dos ômega 3, séries 3 e 5.

Diante deste processo de metabolização, a ingestão adequada das duas séries de ácidos graxos poli-insaturados, em proporções ideais garante o controle dos processos de coagulação e de inflamação.

fontes dos ácidos graxos essenciais

Ácidos graxos ômega 6

Os ácidos graxos Ômega 6 são ácidos poli-insaturados, ou seja, com várias ligações duplas, onde a primeira ligação dupla está no carbono número 6. Os principais ácidos graxos poli-insaturados Ômega 6 são o ácido linoleico (constituído por duas ligações duplas) e o ácido araquidônico (constituído por quatro ligações duplas).

 Entre as fontes naturais de ômega 6 está o óleo de milho, frutos secos, gérmen de trigo, entre outros.

Ácido Linoleico Conjugado (CLA)

Este ácido graxo apenas se diferencia do ácido linoleico na posição e configuração espacial das ligações duplas. Entretanto, não se considera um ácido graxo essencial. Os efeitos associados ao ácido linoleico conjugado são variados, desde efeitos anti-inflamatórios e cardiovasculares até anticancerígenos, antidiabéticos e outros (Oliveira et al, 2008).

Devido a configuração do ácido Linoleico Conjugado (cis ou trans) e ao local de ocorrência das duplas ligações, foram identificados vários isômeros, como o C18:2 Cis-9 trans-11 (com maior potencial anticarcinogênico) e o isômero C18:2 Trans-10 cis-12 (com efeito no metabolismo dos lipídeos).

As fontes do CLA são leite, carne e o tecido adiposo (gordura). A concentração do CLA na carne bovina e de outros ruminantes é superior quando comparada a outros animais.

Ácidos graxos ômega 3

Os ácidos graxos ômega 3 são ácidos de cadeia longa ou muito longa cuja primeira ligação dupla é localizada na posição número 3 da cadeia. Neste grupo estão destacados o ácido α-linolênico, o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosahexaenoico (DHA).

O ácido α-linolênico é considerado o precursor da série, já que partindo deste organismo pode ser sintetizado tanto EPA como DHA. Entretanto, esta conversão em pessoas adultas é muito pequena, devido a limitação de enzimas do metabolismo.

Os efeitos benéficos sobre a saúde deste tipo de ácidos graxos, começaram a estudar para comprovar que a população esquimó, população que maior ingestão de gordura de peixe realiza, apresentava menor incidência de enfermidades cardiovasculares, considerando os Ômega 3 os principais causadores deste fenômeno.

Os efeitos associados à ingestão de ácidos graxos ômega 3 são vinculados à diminuição do risco cardiovascular, doenças inflamatórias e inclusive ao câncer. Além disso, foi estudado o papel que desempenham durante a gravidez e a lactação sobre o desenvolvimento e crescimento do bebê, atribuídos fundamentalmente aos ácidos graxos EPA e DHA.

Ácidos graxos ômega 9

Os ácidos graxos Ômega 9, assim como os anteriores, são ácidos de cadeia longa. Entretanto, neste caso, sua estrutura só contém uma ligação dupla, pertencendo, portanto, ao grupo dos ácidos graxos monoinsaturados. A primeira e única ligação dupla se encontra no carbono número 9. O ácido oleico constituído por uma cadeia de 18 átomos de carbono é o ácido graxo deste grupo mais importante do ponto de vista funcional.

O ácido oleico está presente nos óleos vegetais, sendo o mais representativo o azeite de oliva virgem.

Na composição do azeite de oliva também estão os chamados componentes minoritários, entre os quais se destacam: compostos fenólicos, o esqualeno, o tocoferol, esteróis, entre outros.

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