Endometriose: sintomas, causas e tratamento

localização esquemática da endometriose

A endometriose acontece quando o tecido semelhante ao revestimento do útero cresce fora dele. Geralmente, ele age como um endométrio normal – engrossa, quebra e sangra a cada ciclo menstrual.

Isto acontece porque tecido endometrial consiste de glândula, células sanguíneas e tecido conjuntivo. Ele tem a função de preparar o revestimento do útero para a ovulação.

Estima-se que 40% a 60% das mulheres que têm períodos muito dolorosos têm endometriose. Entre 2% e 50% das mulheres são consideradas portadoras de endometriose “silenciosa” que desconhecem.

Cerca de 20% a 30% das mulheres que não conseguem engravidar são consideradas portadoras de endometriose. A gravidez pode fornecer alívio temporário dos sintomas.

Os locais mais propensos para este tecido crescer, geralmente, são ovários, trompas de Falópio e o tecido que reveste a pélvis.

Raramente, o tecido endometrial pode se espalhar para além dos órgãos pélvicos. Quando a endometriose envolve os ovários, cistos chamados endometriomas podem se formar.

O tecido circunvizinho pode ficar irritado, eventualmente, desenvolvendo tecido cicatricial e bandas anormais de tecido fibroso, que podem fazer com que tecidos e órgãos pélvicos colem uns aos outros.

Sintomas da endometriose

O principal sintoma da endometriose é a dor pélvica, frequentemente associada a períodos menstruais.

Embora muitos experimentem cólicas durante os períodos menstruais, aqueles com endometriose tipicamente descrevem a dor menstrual que é muito pior do que o habitual. A dor também pode aumentar com o tempo.

Os sintomas da endometriose é comum para outras condições médicas como doença inflamatória pélvica, cistos ovarianos e síndrome do intestino irritável.

No geral, os sintomas da endometriose incluem :

  • Infertilidade
  • Dor lombar e pélvica a longo prazo
  • Períodos com duração superior a 7 dias
  • Sangramento menstrual intenso em que o absorvente precisa ser trocado a cada 1 a 2 horas
  • Dor nas evacuações ou micção, incluindo diarreia, constipação, inchaço, fezes ou urina com sangue
  • Náusea e vomito
  • Fadiga
  • Dor durante a relação sexual
  • Sangramento entre períodos

A dor é a indicação mais comum de endometriose, mas a gravidade da dor nem sempre se correlaciona com a extensão da doença.

Por exemplo, é possível ter endometriose leve com dor severa, ou ter endometriose avançada com pouca ou nenhuma dor.

A dor geralmente se resolve após a menopausa, quando o corpo para de sintetizar estrogênio. No entanto, se a terapia hormonal for usada durante a menopausa, os sintomas podem persistir.

Fatores de risco

Qualquer pessoa pode desenvolver endometriose, mas alguns fatores de risco aumentam o risco, que incluem:

  • Idade: é mais comum em mulheres entre 30 e 40 anos
  • Não dar a luz
  • Um ou mais parentes com a condição
  • História médica: ter uma infecção pélvica, anormalidades uterinas ou uma condição que impeça a expulsão do sangue menstrual.
  • História Menstrual: menstruação com duração superior a 7 dias ou ciclos menstruais com menos de 27 dias.
  • Cafeína, consumo de álcool e falta de exercício: podem aumentar os níveis de estrogênio.

Algumas condições de saúde têm sido associadas à endometriose. Estes incluem alergias, asma e algumas sensibilidades químicas, algumas doenças auto-imunes, síndrome da fadiga crônica e câncer de ovário e mama.

Patologia e causas

Ao contrário do tecido endometrial no útero, que deixa o corpo das mulheres com sangue menstrual durante o período, o tecido endometrial que é derramado em outras partes do abdome não sai o corpo.

Em muitas mulheres, esse tecido e sangue são absorvidos pelo próprio organismo. Em outras mulheres, no entanto, o tecido gruda (forma aderências) ou fica inflamado, ou os cistos se desenvolvem.

Dependendo de onde isso acontece, pode causar vários graus de dor.

Existem várias teorias sobre o que causa a endometriose. Uma delas é o desequilíbrio hormonal otra causa é problema no sistema imunológico.

Uma vez que o nosso sistema imunológico geralmente garante que o tecido de um órgão em particular não cresça em outras partes do corpo.

Apesar disso, ainda não está claro por que o tecido endometrial às vezes cresce fora do útero.

Outras explicações da proveniência da endometriose incluem:

  • Crescimento de células embrionárias: as vezes, as células embrionárias que revestem o abdome e a pelve se desenvolvem em tecido endometrial dentro dessas cavidades.
  • Desenvolvimento fetal: a endometriose pode estar presente em um feto em desenvolvimento, mas acredita-se que os níveis de estrogênio puberal desencadeiem os sintomas.
  • Fluxo menstrual anormal: sangue menstrual entra nas tubas uterinas e na pelve em vez de deixar o corpo da maneira usual.
  • Cicatriz cirúrgica: as células endometriais podem se mover durante um procedimento, como uma histerectomia ou uma cesariana .
  • Genética: pode haver um componente herdado. Uma mulher com um parente próximo com endometriose é mais propensa a desenvolver a própria endometriose.

Tratamento da endometriose

Atualmente, não existe “cura” para a endometriose – em outras palavras, não há tratamentos que possam combater a causa da doença. Entretanto, vários tratamentos podem ajudar a aliviar os sintomas, temporária ou permanentemente. Estes incluem:

  • Medicamentos para a dor: Os antiinflamatórios não-esteróides vendidos sem prescrição médica, como o ibuprofeno ou medicamentos prescritos para o tratamento de menstruações dolorosas.
  • Hormônios: O tratamento pode ser com terapias hormonais, como controlo hormonal de nascimento, agonistas e antagonistas do hormônio liberador de gonadotrofinas (Gn-RH), medroxiprogesterona ou Danazol. A colocação de um dispositivo intra-uterino (DIU) também pode ser recomendada.
  • Cirurgia: A cirurgia inicial procurará remover as áreas de endometriose, mas uma histerectomia com remoção de ambos os ovários pode ser necessária.
  • Tratamento de fertilidade: A gravidez pode ser recomendada através de fertilização in vitro.

Complicações e riscos

As complicações da endometriose depende da localização do tecido endometrial, umaa vez que este tecido pode estar presente em outros órgãos, como ovários, bexiga e intestinos.

Apesar disso, duas principais complicações podem acontecer, nomeadamente:

  1. Infertilidade – aproximadamente um terço a metade das mulheres com endometriose têm dificuldade em engravidar. Mesmo assim, pessoas com a condição de gravidade leve a moderada ainda podem conceber. Geralmente, se aconselha a essas pessoas a não atrasar em ter filhos, porque a condição pode piorar com o tempo.
  2. Câncer – o risco geral de câncer de ovário ao longo da vida é baixo. Alguns estudos sugerem que a endometriose aumenta esse risco, mas ainda é relativamente baixo. Embora raro, outro tipo de câncer – adenocarcinoma associado à endometriose – pode se desenvolver mais tarde na vida daqueles que tiveram endometriose.

Referências

  1. InformedHealth.org [Internet]. Cologne, Germany: Institute for Quality and Efficiency in Health Care (IQWiG); 2006-. Endometriosis: Overview. 2008 Feb 25 [Updated 2017 Oct 19]. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK279501/
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Autor: Augusto Constantino

Augusto Bene Tomé Constantino é Moçambicano. Nasceu na cidade de Chimoio, província de Manica. Formado em Farmácia pela Universidade Zambeze, leciona curso de Licenciatura na Faculdade de Ciências de Saúde da UniZambeze. Trabalha com microencapsulação de compostos bioativos usando biopolímeros de origem vegetal.