Dispositivo intrauterino (DIU): tipos e eficácia

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Um Dispositivo Intrauterino (DIU) é um dispositivo em forma de T que é colocado no útero, sendo mantido pelo colo uterino. Uma vez dentro, é possível senti-lo. Entretanto, existem dois tipos de DIU:

dispositivo intrauterino ou DIU
Dispositivo intrauterino
  1. Dispositivo intrauterino de cobre não hormonal. No Formulário Nacional de Medicamentos de Moçambique este DIU apresenta-se como modelo T 380 mm². No entanto, este tipo de DIU não contém hormônios e é feito com cobre e plástico. O cobre previne a gravidez agindo como um espermicida (substância que mata espermatozoides), impedindo que o espermatozoide atinja e fertilize um óvulo. Portanto, o DIU de cobre é um método extremamente eficaz de contracepção de emergência quando é colocado dentro de cinco dias de relações sexuais desprotegidas. Uma vez no lugar, é eficaz por até 10 anos.
  2. DIU hormonal. Este tipo de dispositivo intrauterino contém o levonorgestrel de progestina, que é um hormônio (entenda tudo sobre hormônios femininos). Entende-se que a progestina permite o engrossamento do muco cervical e também o afinamento do revestimento do útero. Portanto, impede que o esperma alcance e fertilize um óvulo. Entretanto, após implantar, pode levar uma semana para começar a funcionar e a sua eficácia pode durar entre 3 a 5 anos, dependendo do tipo.

Contraindicações do dispositivo intrauterino

  • Anemia grave.
  • Infecção sexualmente transmissível recente, caso não tenha sido completamente investigada e tratada.
  • Sangramento uterino de causa desconhecida.
  • Cavidade uterina pequena e má-formação uterina congênita.
  • Cervicite aguda.
  • Neoplasias malignas de colo ou corpo uterino.
  • Doença trofoblástica ativa.
  • Doença inflamatória pélvica e tuberculose pélvica.
  • Imunossupressão.
  • Alergia a cobre, doença de Wilson e diatermia.
  • Coagulopatias.
  • Até quatro semanas após parto.
  • Infecção puerperal.
  • Pós-aborto séptico.

Precauções

Usar com cuidado nos casos de:

  • nulíparas (maior risco de expulsão do DIU e de desenvolvimento de inflamação pélvica).
  • história de hipermenorreia, endometriose, dismenorreia grave, diabetes, epilepsia, problemas de fertilidade, câncer de ovário, doença valvar cardíaca e endocardite bacteriana (profilaxia antimicrobiana deve ser feita no momento da inserção).
  • uso de terapia anticoagulante.
  • infecção ginecológica, especialmente por clamídia e gonorreia, e de gravidez (verificar antes da inserção do DIU; caso ocorra gravidez durante o uso do dispositivo intrauterino o mesmo deve ser removido nos primeiros 3 meses e a possibilidade de gravidez ectópica deve ser considerada).
  • desenvolvimento de doença inflamatória pélvica com o uso do DIU (risco de infertilidade).
  • lactação

Após remoção, geralmente é rápido o retorno à fertilidade. Entretanto, o DIU não deve ser removido no meio do ciclo a não ser que outro método contraceptivo tenha sido usado nos últimos 7 dias.

Deve ser feito exame ginecológico entre seis e oito semanas após a inserção e depois anualmente.

Posologia do dispositivo intrauterino

A inserção de DIU deve ser realizada apenas por médicos ou enfermeiros devidamente capacitados, e antecedida de anamnese, exame físico, assepsia e histerometria.

O momento ideal de introdução é logo depois da menstruação, preferentemente até o quinto dia do ciclo, pois o canal cervical mais dilatado torna a inserção mais fácil e menos dolorosa, além de evitar a possibilidade de inserção em mulher grávida. No entanto, o DIU pode ser inserido a qualquer momento, desde que se assegure a ausência de gravidez.

No pós-parto, é recomendável a inserção a partir de seis semanas. Entretanto, o dispositivo intrauterino pode também ser inserido logo após curetagem por abortamento não-infectado. A reinserção pode ser realizada no mesmo ato da extração de um DIU vencido.

Não há necessidade de anestesia para inserção do DIU, embora cause dor passageira. Recomenda-se observação rigorosa da paciente logo após a inserção. Contudo, o repouso por curto espaço de tempo é medida eficaz nos casos de hipotensão.

Indicações para retirada incluem:

  • solicitação da usuária;
  • gravidez inicial, desde que os fios estejam visíveis (se não estiverem, avaliar risco versus benefício da remoção guiada por ultrassonografia);
  • doença inflamatória pélvica ativa;
  • expulsão parcial;
  • sangramento excessivo;
  • vencimento do período de vida útil de 10 anos.

Efeitos adversos

Alguns efeitos não desejados podem ocorrer devido o uso do DIU, estes incluem:

  • Perfuração, deslocamento e expulsão uterina ou cervical.
  • Infecção pélvica pode ser exacerbada. Portanto, deve-se considerar a existência de inflamação pélvica aguda em caso de dor pélvica ou abdominal contínua, especialmente nos primeiros 20 dias após a inserção do DIU.
  • Hipermenorreia, dismenorreia e reação alérgica.
  • Na inserção do DIU: dor e sangramento, podendo ocorrer ocasionalmente convulsão epilética, ataque vasovagal, síncope e bradicardia.
  • Deficiência de ferro.
  • Gravidez ectópica (0,2%).

Aspectos farmacêuticos do dispositivo intrauterino

Houve importante evolução na tecnologia inicial dos dispositivos intrauterinos, tornando-os mais seguros e eficazes que os desenhos antigos. Por exempo, o Tcu380A, produzido por diversos fabricantes, é um DIU em forma de T, com fios de cobre na haste e anéis de cobre nos braços, totalizando 380 mm quadrados de superfície ativa.

Seu período de validade dentro da embalagem original geralmente é de sete anos. No entanto, quando vencido o prazo de esterilização, estando os envelopes íntegros, devem preferentemente receber novo procedimento por óxido de etileno ou radiação. Não devem ser esterilizados por calor (estufa ou autoclave).

Cada DIU deve vir acompanhado de instruções para o médico e a paciente, incluindo um cartão que especifica o modelo inserido e a data prevista para remoção com o vencimento da validade.

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