Diabetes: sintomas e tratamento em Moçambique

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A diabetes mellitus é um grupo de doenças do metabolismo caracterizadas por uma hiperglicémia crónica, resultante da secreção deficiente de insulina, da acção da insulina ou ambas. Está associada a complicações graves (cetoacidose e hipoglicémia), assim como a complicações a longo prazo que afectam os olhos, rins, pés, nervos, cérebro, coração e sistema vascular.

Existem pelo menos dois tipos de diabetes: a do tipo 1 e a do tipo 2.

Diabetes tipo 1:

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A doença revela-se na juventude (normalmente na adolescência ou na casa dos vinte, mas também pode surgir mais cedo), com rápida instalação de sintomas graves, particularmente perda de peso, sede e poliúria. Os níveis da glicose sanguínea são elevados e surgem frequentemente cetonas na urina. Se o tratamento for retardado, ocorre cetoacidose diabética (DKA) seguida eventualmente de morte. A resposta à terapia com insulina é excelente e gratificante. Contudo, a classificação errónea de doentes como sendo do “Tipo 1” acontece provavelmente com alguma frequência, uma vez que ser tratado com insulina não é o mesmo que ser insulinodependente para viver.

Diabetes tipo 2:

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A maioria dos doentes apresenta sintomas clássicos de diabetes, incluindo poliúria, polidipsia e polifagia. Para além disso, alguns doentes apresentam sépsias e /ou coma diabético (estados hiperosmolares não-cetóticos). Há uma minoria assintomática que é detectada durante o rastreio. Normalmente, os doentes não procuram cuidados médicos precoces, dada a natureza insidiosa da doença e, por isso, podem apresentar já no diagnóstico sinais de complicações diabéticas, nomeadamente dificuldades visuais devidas a retinopatia, dor ou formigueiro nos pés devidos a neuropatia, úlceras nos pés ou enfarte. Alguns doentes mais idosos do tipo 2 apresentam coma hiperosmolar não-cetótico que tem uma elevada taxa de mortalidade.

Diabetes gestacional

A diabetes mellitus gestacional (GDM) é, como o nome indica, uma diabetes que surge durante a gravidez. Embora regrida para uma situação metabólica e clínica normal pósparto, existe um risco considerável de aquisição posterior de diabetes Tipo 2 (OMS, 1999). Por essa razão, a GDM deve distinguir-se da doença já existente em mulheres que só depois engravidam. A especial importância da GDM é que ela está associada a problemas da gravidez, em particular se não for detectada nem tratada. Alguns dos seus efeitos adversos incluem macrossomia fetal, eclâmpsia, atraso do crescimento intra-uterino, dificuldades durante o parto, hipoglicémia neonatal e distúrbios respiratórios.

Para melhor compreender a classificação da diabetes mostramos o quadro abaixo:

Classificação da diabetes

Epidemiologia da diabetes em Moçambique

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A Federação Internacional de Diabetes (FID) estimou em 2003 que em todo o mundo, cerca de 171 milhões de indivíduos sofriam de diabetes, e que este número irá ultrapassar o dobro em 2030. Cerca de 3,2 milhões de pessoas morrem por ano devido á diabetes e suas complicações. Nos países em desenvolvimento o número de pessoas que sofrem de diabetes irá aumentar em cerca de 150% nos próximos 25 anos, sendo a diabetes do Tipo 2 a mais prevalente.

A diabetes é uma das maiores causas de doença e morte prematura em vários países, sendo também responsável pelo aumento do risco para as DCV e é responsável por 50% a 80% das mortes nestes indivíduos. Com o aumento da prevalência de diabetes em África, a sua conhecida morbilidade, mortalidade prematura e custos de saúde cada vez mais elevados, a prevenção é de primordial importância .

Os principais factores para o aumento da morbilidade por diabetes são: a idade e aumento da esperança de vida, a tendência crescente para a obesidade, maus hábitos alimentares e o estilo de vida cada vez mais sedentário. Estes factores de risco são liderados pela obesidade, principal factor de risco para o aumento da incidência da diabetes do Tipo 2.

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Em Moçambique a prevalência da diabetes na população com idade superior a 20 anos de idade foi estimada em 3,1% em 2003, projectando-se um aumento para 3,6% em 202521. Ainda em 2003, a Fundação Internacional de Insulin (FII) estimou que haviam cerca de 928 crianças com diabetes do Tipo 1, com uma baixa esperança de vida, tendo sido estimada em 3,8 anos para a cidade do Maputo e de 7 meses de vida para a zona rural.

Na população adulta dos 25 aos 64 anos de idade, em Moçambique, a prevalência de diabetes é de 3,8% e o excesso de peso de 30,1% e de 10,2% para o meio Urbano e Rural, respectivamnte. A obesidade como factor de risco mais importante para a diabetes do Tipo 2 já é significativa sendo a prevalência de 11,5% no meio rurbano e de 2,6% para o meio rural.

Em 2014 os diabetes mataram 4,9 milhões de pessoas, em todo o mundo.

Sintomas da diabetes

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Os principais sintomas do diabetes são vontade frequente de urinar, fome e sede excessiva e emagrecimento. Esses sintomas acontecem em decorrência da produção insuficiente de insulina ou da incapacidade de a insulina exercer adequadamente sua ação, causando assim um aumento da glicose no sangue. Confira a seguir os sintomas característicos de cada tipo de diabetes.

Pessoas com diabetes tipos 2 não apresentam sintomas iniciais e podem manter a doença assintomática por muitos anos. No entanto, devido a uma resistência à insulina causada pela condição de saúde é possível manifestar os seguintes sintomas: fome excessiva, sede excessiva, infecções frequentes. Alguns exemplos são bexiga, rins e pele, feridas que demoram para cicatriza, alteração visual (visão embaçada), formigamento nos pés e furúnculos. Qualquer indivíduo pode manifestar diabetes tipo 2. No entanto, ter idade acima de 45 anos, apresentar obesidade ou sobrepeso e ter histórico familiar de diabetes tipo dois podem aumentar o risco de ter a doença.

Pessoas com diabetes tipo 1 podem apresentar vontade frequente de urinar,  fome excessiva, sede excessiva, emagrecimento, fraqueza, fadiga, nervosismo, mudanças de humor, náusea e vômito. O diabetes tipo 1 pode ocorrer por uma herança genética em conjunto com infecções virais. A doença pode se manifestar em qualquer idade, mas é mais comum ser diagnosticada em crianças, adolescentes ou adultos jovens.

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O diabetes gestacional, na maioria das vezes, não causa sintomas e o quadro é descoberto durante os exames periódicos. No entanto, devido ao aumento da glicemia durante a gravidez é possível manifestar os seguintes sintomas: sede excessiva, fome excessiva, vontade constante de urinar, Visão turva. Qualquer mulher pode manifestar o diabetes gestacional. No entanto, ter histórico familiar de diabetes, excesso de peso antes da gravidez e ganho de peso durante a gestação podem favorecer o quadro.

Diagnóstico da diabetes mellitus.

Na maioria dos doentes que apresentam os sintomas clássicos da diabetes, o diagnóstico é fácil. Porém, podem surgir problemas com os que têm um menor grau de hiperglicémia, ou com os doentes assintomáticos. Nestas circunstâncias, para fazer o diagnóstico são necessários dois resultados anormais, em ocasiões diferentes. Se ainda assim não se conseguir confirmar o diagnóstico é, normalmente, aconselhável manter a vigilância e realizar novas análises periodicamente, até que se esclareça a situação do diagnóstico. O médico deverá ter em consideração os factores de risco adicionais da diabetes, antes de se decidir o diagnóstico ou o início de uma terapêutica. O diagnóstico da diabetes deverá ser confirmado bioquimicamente, antes de se iniciar o tratamento.

  • A presença de sintomas de hiperglicémia, como a poliúria, polidipsia, pruritus vulvae, letargia, perda de peso e uma glicose sanguínea venosa aleatória de ≥11,1 mmol/L

Ou

  • Uma glicose sanguínea venosa em jejum de ≥7,0 mmol/L confirmam o diagnóstico da diabetes.

Em doentes assintomáticos, um único resultado anormal de glicose no sangue não é suficiente para fazer um diagnóstico de diabetes. Esse valor anormal deverá ser confirmado na data mais próxima possível, usando um dos seguintes exames: amostra de sangue aleatória ou em jejum x 2, ou um teste oral de tolerância à glicose de 75 g.

Para converter mmol/l em mg/dl, multiplicar o valor de mmol por 18,0.

Para efeitos clínicos, o diagnóstico da diabetes deverá ser sempre confirmado pela repetição da análise em outro dia, a menos que haja certeza inequívoca de hiperglicémia, com descompensação metabólica aguda ou sintomas óbvios. As pessoas com má tolerância à glicose ou glicémia em jejum diminuída deverão repetir a análise 1 ano depois.

Tratamento da diabetes em Moçambique

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O tratamento da diabetes em Moçambique implica medidas farmacológicas e não farmacológicas. O diagnóstico precoce e o início atempado do tratamento constituem medidas consideradas eficazes para a diminuição, a médio e longo prazo, das complicações da diabetes.

O tratamento da diabetes visa a normalização dos níveis da glicemia plasmática, dos valores da tensão arterial e dos lípidos plasmáticos, tendo como objetivos, a prevenção das complicações agudas e crónicas, assim como a manutenção da qualidade de vida.

Terapêutica não farmacológica inclui a educação do diabético, a orientação, o exercício físico, cessão de hábitos tabágicos e moderação no consumo de álcool. Recomenda-se fazer caminhadas de pelo menos 30 minutos diários, cinco vezes por semana com intensidade moderada.

Já na terapêutica farmacológica ela deve considerada para cada individuo e adaptada à pessoa com diabetes tendo em conta: idade e tempo de evolução da doença, perceção dos sintomas de hipoglicemia pelo próprio e autotratamento, presença de complicações e/ou outras co-morbilidades.

Na escolha do fármaco deve-se ter em conta: i) a sua efetividade e eficácia terapêutica ii) os efeitos adversos iii) o seu perfil de segurança e qualidade, iv) a sua tolerabilidade, v) a facilidade de administração e vi) a relação custo/efectividade . A terapêutica farmacológica da diabetes utiliza fármacos antidiabéticos orais (ADO) e insulinas. Os fármacos podem ser utilizados em monoterapia ou em terapias dupla ou tripla.

Listamos abaixo alguns medicamentos usados:

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  • Inibidores da alfaglicosidase
  • Sulfonilureias
  • Glinidas: nateglinida e repaglinida
  • Glifage
  • Glifage Xr

Lembramos que um médico poderá ajudá-lo a respeito do seu tratamento. O nosso site só contém textos informativos, por isso não tome decisões só por ler nossos artigos.

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Autor: Augusto Constantino

Augusto Bene Tomé Constantino é Moçambicano. Nasceu na cidade de Chimoio, província de Manica. Formado em Farmácia pela Universidade Zambeze, leciona curso de Licenciatura na Faculdade de Ciências de Saúde da UniZambeze. Trabalha com microencapsulação de compostos bioativos usando biopolímeros de origem vegetal.

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