Intoxicação por paracetamol: sintomas e tratamento

A intoxicação por paracetamol pode ocorrer quando ingerimos pelo menos 4 g em um dia. paracetamol ou acetaminofeno ou ainda n-acetil-p-aminofenol é um derivado do aminofenol, que tem propriedades antitérmicas e analgésicas. Possui um baixo peso molecular e hidrossolubidade média, com um pK de 9.5.

Na actualidade pode ser encontrado em comprimidos, xaropes e até em supositórios. Para o primeiro caso as suas concentrações podem chegar até 1g.

Metabolismo do paracetamol

O paracetamol tem uma boa absorção digestiva e seu pico é alcançado entre 30 e 90 minutos. O seu volume de distribuição é baixo (0,850l/kg). Ele pode circular unido às proteínas plasmáticas na proporção de 20 a 50 % para doses tóxicas.

A intoxicação por paracetamol está ligada a sua metabolização hepática. As reações da fase II, na dose habitual, para o paracetamol, segue duas vias:

  • Primeira fase uma mediada pela beta-glucuroniltransferase e o sistema sulfotransferase produzindo conjugados não tóxicos; e
  • A fase oxidativa, que é a minoria, mediada por P450IIE1 e P450IA2 que produz um metabólito reactivo (a n-acetil-p-benzoquinoneimina) que se conjuga com a glutationa intra-hepática dando um produto, que por sua vez é conjugada com cisteína ou ácido mercaptúrico perdendo sua toxicidade e eliminação por via renal.

NO entanto, quando houver maior quantidade do paracetamol no organismo o metabólito n-acetil-p-benzoquinoneimina fica em quantidades excessiva no fígado, não havendo glutationa suficiente para poder se conjugar a ela e assim este metabólito reativo começa a danificar o fígado.

Mecanismo de acção e/ou de toxicidade

A toxicidade do paracetamol é devida ao excesso do n-acetil-p-benzoquinoneimina, que é capaz de ligar-se às proteínas plasmáticas, por meio de ligação covalente, até esgotar as reservas da glutationa. Esta ação produz uma necrose dos hepatócitos que começa na região centrolobular e termina em necrose massiva. A necrose renal acontece pelo mesmo mecanismo.

As desordens metabólicas produzidas pela insuficiência hepática são as responsáveis pela maior parte dos sinais e sintomas.

As doses orais tóxicas estão de 7 a 10 g no adulto ou 125 mg/kg; e 150 mg/kg em crianças.

As mortes podem ocorrer se tiver uma intoxicação por paracetamol em quantidades entre 10 a 15 gramas. Porém teremos que considerar que uso de quantidades acima de 4 g diário poderá vir a ser tóxico.

Sintomas da intoxicação por paracetamol

Depois da exposição a doses tóxicas do paracetamol, as manifestações podem acontecer dentro das primeiras 12 ou 24 horas com sintomas digestivos, acompanhados pelo mal-estar geral e diaforese (transpiração excessiva).

O shock, a acidose metabólica e assistolia podem acontecer nas primeiras horas depois da exposição a concentrações altas na ordem de 800 micro grama por militro.

A partir das 24 h pode aparecer dor abdominal com hepatomegália e elevação das enzimas hepáticas acompanhadas da acidose metabólica e coma com encefalopatia hepática. Temos que resaltar que este quadro só acontece se no paciente for achado a dose tóxica.

A morte, geralmente, pode aparecer dentro de 8 dias; caso contrário poderá haver melhoria do estado do paciente, porém a fibrose hepática será inevitável.

O diagnóstico das intoxicações por paracetamol é muito difícil devido a manifestação inespecífica, mas os melhores indicadores para o prognóstico grave são pH inferior a 7.3, tempo de protrombina superior a 100 segundos, creatinina superior a 300 micromol por litro.

Tratamento

O tratamento da intoxicação por paracetamol é feito por descontaminação digestiva (pode ser útil o uso do carvão ativado), tratamento sintomático e a administração de antídoto, conhecido como n-acetilcisteína. A administração deste antídoto geralmente é feita quando as quantidades ingeridas forem iguais ou superiores a 7,5 gramas.

Paracetamol e seu antídoto

A n-acetilcisteína é um precursor da glutationa, o que significa que ele permite o aumento das concentrações da glutationa no fígado. Ela também ajuda a prevenir a toxicidade do paracetamol no fígado, ao desativar a n-acetil-p-benzoquinoneimina antes que ele cause dano às células hepáticas. No entanto, ela não reverte o dano já causado às células hepáticas.

Se o fígado estiver completamente afetado, poderá haver a necessidade de um transplante hepático.

O uso da diurese pode não ser necessário, mas se houver alguma falha renal haverá, imprescindivelmente, a necessidade de usar a diurese renal ou mesmo extra-renal.

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