Paracetamol serve para quê? Doses, interações e reações adversar

Paracetamol serve para tratamento da dor de intensidade ligeira a moderada, febre. Este medicamento pode ser encontrado em forma de comprimidos (500 mg ou mais) e em solução oral de 200 mg/mL (geralmente para crianças).

Como tomar paracetamol?

  • Adultos: 0,5-1 g de 4/4-6/6 h. Máximo, 4 g/dia
  • Crianças: 6-12 anos, 250-500 mg de 4/4-6/6 h até um máximo de 4 doses/dia; 1-5 anos: 120-250 mg; 3-12 meses: 60-120 mg; menores de 3 meses: 10 mg/kg (5 mg/kg se icterícia presente).

Leia sobre as dicas do tratamento da dor.

Contraindicações

  • Na doença hepática ou renal severa.
  • Hipersensibilidade ao paracetamol.

Precauções

Usar com cuidado nos casos de:

  • insuficiência hepática.
  • insuficiência renal.
  • alcoolismo.
  • pacientes asmáticos com hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico (risco de hipersensibilidade cruzada).
  • lactação.

O paracetamol tem pouco ou nenhum efeito anti-inflamatório ou antirreumático.

Efeitos adversos

O paracetamol é, em geral, muito bem tolerado. Raramente podem ocorrer reacções cutâneas de hipersensibilidade, neutropenia e trombocitopenia. A administração prolongada pode levar a nefro ou hepatotoxicidade. Doses elevadas podem provocar necrose hepática, renal e pancreatite potencialmente fatais que podem surgir tardiamente (3-4 dias mais tarde).

Outras reações podem incluir:

  • São raros e geralmente brandos em doses terapêuticas.
  • Asma.
  • Exantema.
  • Distúrbios sanguíneos (trombocitopenia, leucopenia, neutropenia, pancitopenia e agranulocitose).
  • Hemorragia gástrica.
  • Hepatotoxicidade após dose excessiva ou com uso terapêutico prolongado em pacientes alcoolistas.
  • Aumento da bilirrubina e da fosfatase alcalina.
  • Nefrotoxicidade por uso prolongado ou excessivo.
  • Reações de hipersensibilidade, incluindo dispneia, hipotensão, urticária, e angiodemea.

Interações do paracetamol com outros medicamentos

  • Anticoagulantes cumarínicos (acenocumarol, varfarina): pode aumentar o risco de sangramento. Pacientes que usam varfarina ou outros anticoagulantes cumarínicos devem ser orientados a diminuir o uso de paracetamol. Considerar o monitoria do tempo de protrombina quando for iniciado ou descontinuado o uso de paracetamol em pacientes sob tratamento anticoagulante. A interação pode ter menor relevância clínica com o uso infrequente ou em baixas doses de paracetamol.
  • Carbamazepina: pode aumentar o risco de hepatotoxicidade pelo paracetamol. Em doses terapêuticas usuais dos dois fármacos, não é necessário monitoria especial do paciente.
  • Etanol: pode aumentar o risco de hepatotoxicidade. Deve-se ter cuidado com pacientes que ingerem 3 ou mais doses de bebidas alcoólicas por dia e utilizem paracetamol. Pacientes devem ser orientados a não excederem dose diária de 4.000 mg de paracetamol. Alcoolistas crônicos devem evitar o uso de paracetamol.
  • Fenitoína: pode diminuir a efetividade do paracetamol e aumentar o risco de hepatotoxicidade. Evitar doses elevadas e/ou uso prolongado de paracetamol. Monitorar o paciente para evidências de hepatotoxicidade. Em doses terapêuticas dos dois fármacos, geralmente não é necessário monitoria do paciente ou ajuste de dose.
  • Isoniazida: pode aumentar o risco de hepatotoxicidade. O uso deste medicamento deve ser limitado em pacientes que utilizam isoniazida.
  • Zidovudina: pode resultar em neutropenia ou hepatotoxicidade. Evitar uso prolongado e múltiplas doses de paracetamol em pacientes tratados com zidovudina.

Qual é o mecanismo de ação do paracetamol?

Existem pelo menos dois mecanismos de ação possíveis:

Prostaglandina H sintetase

A via da cicloxigenase (COX) leva à formação de mediadores envolvidos na inflamação, febre, agregação plaquetária e proteção da mucosa do trato gastrointestinal.

Nesta via, a enzima prostaglandina H sintetase (PGHS, ou COX) promove a transformação do ácido araquidónico em PGG2, pela COX, e posteriormente em PGH2, pela POX.

O paracetamol, devido à sua capacidade redutora, intervém no metabolismo de um substrato importante desta enzima, levando à diminuição da sua ação.

Apesar de atuar ao nível da COX, o paracetamol difere dos restantes AINEs (antiinflamatórios não esteroidais, como diclofenaco), na medida em que a sua ação verifica-se predominantemente a nível do SNC (sistema nervoso central), sendo a sua ação periférica insignificante.

Para além disso, não apresenta efeitos anti-inflamatórios nem inibe o tromboxano A2. Estas diferenças justificam-se pelo facto de o paracetamol atuar com maior eficácia em ambientes com baixos níveis de peróxidos e de ácido araquidónico.

Contudo, é bem provável que o paracetamol iniba uma variante da enzima COX, que é diferente das variantes COX-1 e COX-2, denominada agora de Cox-3. No entanto, esta associação apenas foi verificada em cães e não em ratos ou humanos, sendo improvável a sua influência na dor e febre mediada pelas prostaglandinas.

Receptores canabióides

No cérebro, o paracetamol pode conjugar-se com o ácido araquidónico, através de uma enzima hidrolase, originando um composto denominado 4-araquidonoilfenolamina (AM404).

Este composto não atua diretamente nos receptores canabinóides pois tem uma baixa afinidade para eles mas, através de uma ação indireta, leva ao aumento da concentração de canabinóides endógenos e à diminuição de anandamida que levaria à ativação de nociceptores.

Aspectos farmacocinéticos

  • Absorção oral: rápida e incompleta, varia conforme a forma farmacêutica.
  • Biodisponibilidade oral: 60% a 98%.
  • Metabolismo: hepático.
  • Pico de concentração plasmática: 10 a 60 minutos.
  • Início de efeito: menos de 1 hora.
  • Duração da ação: 4 a 6 horas.
  • Excreção: renal, 1% a 4% na forma não alterada.
  • Meia-vida de eliminação: neonatos, 2 a 5 horas; adultos,1 a 4 horas.
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