Diarréia: sintomatologia, causas e tratamento

Diarréia se entende como emissão de fezes de consistência líquida ou pastosa. Essa evacuação pode ser uma ou mais vezes durante 24 horas. É importante para a prática não confundir a diarréia verdadeira com a falsa evacuação excessiva de fezes líquidas, que facilmente pode ser identificada se encontrarmos, misturados à parte líquida das fezes, fragmentos fecais ou, nalgumas vezes, cíbalas (fezes petrificadas).

Um outro erro é que pessoas queixam-se de ter diarréia porque sentem vontade de evacuar a todo o momento, porém, estudando o síndrome reto-sigmoideano (região perto do ânus), veremos que não se trata de fezes verdadeiras, mas, de produtos anormais como muco, pus e sangue.

Tendo em conta a multiplicidade da causa de origem da evacuação excessiva de fezes líquidas podemos dividi-la em dois grupos:

  1. Diarréias de origem intestinal; e
  2. Diarréias de origem extra intestinal (psíquicas, neurógenas, humorais, endócrinas).

Quanto ao mecanismo de produção da diarréia entram em jogo o aumento do peristaltismo e o aumento da secreção. Estes dois elementos podem agir isolados ou em conjunto.

Um ponto importante que devemos frisar é que, em cada caso, a diarréia é apenas um sintoma e, como tal, não é mais que uma manifestação conjunta ou parcial de uma doença caracterizada pelo seu quadro clínico mais ou menos complexo.

Epidemiologia

As doenças diarréicas continuam sendo um dos principais problemas de saúde pública a no mundo contribuindo com cerca de 9% das mortes em crianças menores de 5 anos de idade.

Todos anos, cerca de 2,500 milhões de casos de evacuação de fezes líquidas excessivas ocorrem em crianças menores de cinco anos de idade, e as estimativas sugerem que a incidência se manteve relativamente estável ao longo das últimas duas décadas.

A diarreia é uma doença comum em países em desenvolvimento, particularmente na África sub-sahariana, devido a problemas de saneamento, acesso a água potável e higiene. Estima-se que 2,5 bilhões de pessoas carecem de instalações de saneamento, e quase um bilhão de pessoas não têm acesso à água potável.

Causas – tipos

Como vinhamos dizendo a evacuação de fezes líquidas ou pastosas pode ser de origem intestinal ou extra intestinal. As diarréias de origem intestinal distinguimos a forma difusa e a forma localizada, sem esquecermos  de um fator muito importante  que é a origem do agente nocivo, isto é, se este provem do conteúdo ou da parede intestinal.

Dividimos as diarréias de origem intestinal em agudas, crônicas e intermitentes. As causas da diarréia aguda são de natureza infecciosa ou tóxica (como bactéria ou vírus, incluindo as toxinas produzidas pelas bactérias), mas, também podem residir em u m distúrbio agudo da função digestiva que pode ter como ponto de partida a boca (no caso de comer rapidamente, mastigando mal) ou o estômago (no caso de ingerir alimentos de difícil digestão ou irritantes pela sua baixa temperatura).

Abrindo parênteses temos a dizer que  as bactérias tais como Escherichia coli, Shigella spp., Campylobacter spp. e Salmonella spp., juntamente com Vibrio cholerae durante as epidemias são as principais causas de diarreicas. O tratamento de infecções bacterianas, porém, é um motivo de grande preocupação devido ao aparecimento de estirpes resistentes a múltiplas drogas, um fenómeno que tem graves implicações para os países em desenvolvimento onde os antibióticos mais recentes e caros estão frequentemente indisponíveis.

Nas diarréias crônicas é importante fazer a distinção entre as afecções difusas ou enterocolites e as afecções colíticas. E m alguns casos do segundo tipo pode, em certas circunstâncias, estabelecer-se nitidamente a localização (tiflite, colite superior e inferior protosigmoidite, proctite).

Nas diarréias devidas a fatores psíquicos, como , medo, angústia, espera –se que se encontrem nos oradores, nos atores, estudantes, etc. Também devemos lembrar que em muitos casos de diarréia psíquica se encontram graus levíssimos de natureza inflamatória das últimas partes do intestino, verificando-se a diarréia sob o influxo do processo psíquico. Podemos também encontrar evacuação de fezes líquidas excessivas como conseqüência de moléstias nervosas orgânicas.

A evacuação excessiva de fezes líquidas devida às perturbações das glândulas de secreção interna e dos estados anafiláticos têm uma certa relação com o grupo precedente. O distúrbio intestinal mais freqüente observado no hipertiroidismo é a diarréia que pode preceder os sintomas usuais e vir sob a forma de crises.

Tratamento da diarréia

O tratamento da diarréia é bastante simples e ao mesmo tempo pode requerer muita atenção e cuidado. Aqui iremos apenas relatar o tratamento da diarréia aguda que acomete a maior parte dos casos.

Alguns princípios gerais:

  • A diarréia aguda de qualquer etiologia e em qualquer idade é, na grande maioria das vezes, um processo autolimitado;
  • As complicações e causas de morte mais importantes são a desidratação e a desnutrição;
  • Os casos graves de fezes liquidas necessitam de tratamento de emergência;
  • A absorção de sais (eletrólitos) e glicose se mantém durante a diarréia;
  • A manutenção da alimentação na diarréia aguda é benéfica pois impede a deterioração do estado nutricional da criança e permite a regeneração do epitélio intestinal;
  • A maior oferta de alimentos após a diarréia é importante na recuperação nutricional.

O uso do SRO (Sais de Rehidratação Oral) é fundamental durante a evacuação de fezes líquidas excessivas. O SRO contém geralmente os seguintes electrólitos: Sódio, Cloro, Citrato, Potássio e Glicose.

O uso de medicamentos deve ser exceção nos casos de diarréia aguda. Os antimicrobianos ficam reservados aos casos de evacuação de fezes líquidas excessivas que apresentam sangue (disenteria) e que, após a reidratação, mantém comprometido o estado geral, e aos casos graves de cólera:

  • Nos pacientes com sangue nas fezes e comprometimento do estado geral, recomenda-se a administração de Trimetoprim/Sulfametaxazol na dose de 50 mg/kg/dia de sulfa, divididas em 2 tomadas, durante 5 dias.
  • Nos casos de cólera grave , a droga recomendada para maiores de 8 anos é tetraciclina 50 mg/kg/dia dividida em 4 doses, durante 3 dias. Abaixo de 8 anos recomenda-se Trimetoprim/Sulfametaxazol 50 mg/kg/dia de sulfa dividida em 2 tomadas, durante 3 dias
  •  A identificação, em fezes diarréicas, de trofozóitos de Giárdia lambia e de Entamoeba histolytica recomenda o tratamento com Metronidazol (15 mg/kg/dia e 30 mg/kg/dia respectivamente) divididos em 3 doses diárias durante 5 dias. A confirmação destes e de outros parasitas deve ser feita pelo exame o parasitológico de fezes.

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