Revulsivos: medicamentos de acção tópica

revulsivos

Medicamentos revulsivos habitualmente chamados resolutivos ou contra irritantes, são medicamentos que atuam por uma ação irritante local, provocando uma chamada de sangue ao ponto de aplicação, com subsequente hiperemia.

O seu uso assenta-se no princípio de que a irritação da pele provoca a congestão dos tecidos subjacentes, descongestionando-se, por derivação, os órgãos profundos, devido a uma ação sobre os nervos que regulam o calibre dos pequenos vasos sanguíneos.

Classificação

Os revulsivos classificam-se em suaves ou rubefacientes e enérgicos ou vesicantes. Os rubefacientes provocam somente hiperemia na zona de aplicação, enquanto que os vesicantes originam secundariamente a formação de vesículas epidérmicas, repletas de líquido de exsudação.

Não pode dizer-se que esta diferença seja perfeitamente delimitada, já que a formação de vesículas pode depender da dose e do número de aplicações do revulsivo. Assim, muitos rubefacientes podem tornar-se vesicantes, tudo dependendo das condições de administração.

Os revulsivos aplicam-se sob a forma de pinceladas, unguentos, pomadas, emplastros, linimentos, etc. em diversas regiões do corpo, deixando-os atuar por um período de tempo de alguns minutos a horas, consoante o caso.

São mais vulgares as aplicações na epiderme, nas regiões correspondentes à laringe, pulmões, coração, rins e nervos ciáticos. Algumas vezes ainda se utilizam revulsivos para combater as dores de cabeça, as ovarites e até a epilepsia.

Medicamentos rubefacientes

Têm sido empregados no tratamento da bronquite, na congestão gástrica com vómitos, nas dores reumáticas, nas entorses e inflamações crónicas. Entre eles lembramos a mostarda, a terebintina, o pimentão, a cânfora, o salicilato de metilo, o mentol e a amónia.

A mostarda pode ser utilizada sob a forma de cataplasma ou de sinapismo. Pode empregarse ainda o seu princípio activo dissolvido em álcool, constituindo a solução alcoólica de isossulfocianato de alilo, impropriamente conhecida por tintura de mostarda.

As cataplasmas não devem ser feitas com água excessivamente quente, porquanto esta destroi o fermento existente na farinha de mostarda (mirosinase), responsável pela hidrólise do sinigrosídeo, tornando-se activo como rubefaciente.

Muitas vezes a aplicação da mostarda chega a originar vesículas, representando um dos exemplos de uma droga simultaneamente rubefaciente e vesicatória, a que atrás aludimos. A terebintina é utilizada sob a forma de essência de terebintina em alguns linimentos. Utilizouse, também, por via injectável, na prática dos abcessos de fixação.

O pimentão tem-se utilizado em tinturas que se aplicam por pincelagem na pele. O mesmo processo é empregado para a aplicação da solução alcoólica de iodo, que popularmente é conhecida por tintura de iodo. O algodão iodado constitui também uma preparação que se utiliza como rubefaciente.

A cânfora é utilizada como revulsiva em alguns medicamentos, como a água amónío-canforada ou água sedativa, vários linimentos, como o linimento amoniacal-canforado, o de sabão com ópio e, ainda, diversas pomadas.

O salicilato de metilo e o mentol empregam-se muitas vezes associados, em pomadas rubefacientes, como o bálsamo analgésico. O salicilato de metilo é também muito utilizado em cataplasmas contendo, como excipiente, o caulino.

A amónia é um dos revulsivos mais utilizados, quer em solução aquosa, a 10-20%, quer sob a forma de linimento.

Medicamentos revulsivos vesicantes

Utilizam-se para dominar formas mais intensas de dor e de inflamação, como nas pleurisias, pericardites e dores ciática.

Entre os vesicantes poderemos citar as cantáridas, o ácido acético e, em determinadas condições, a mostarda e o iodo. As cantáridas atuam pelo seu princípio ativo — a cantaridina, podendo ser aplicadas em tinturas (alcoólicas, acetónicas, aceto-etéreas e clorofórmicas), sinapismos, unguentos e emplastros.

Trata-se de medicamentos altamente vesicatórios cujo emprego deve ser cuidadosamente controlado, havendo diversas contraindicações para o seu uso, como a glomerulonefrite.

Algumas vezes, na preparação da tintura de cantáridas, associa-se ao líquido extrator o ácido acético, o que, além de exacerbar a atividade vesicatória, promove um maior rendimento extrativo em cantaridina.

Ao lado dos fármacos citados como revulsivos não queremos deixar de fazer referência aos irritantes com propriedades esclerosantes, embora não possam considerar–se como tópicos no sentido estrito do termo. Trata-se de drogas capazes de alterar as células mas que não destroem grande número delas no local da sua aplicação.

Tais agentes promovem o aparecimento de fibrose e atuando sobre a íntima dos vasos sanguíneos procedem à sua «decapagem» o que leva a que apresentem certo interesse na redução de varicoses e hemorroidal.

A quinina associada à ureia é dos esclerosantes mais usados, já que o alcalóide irrita localmente o tecido e desenvolve uma ação anestésica local que diminui a dor da injeção e a ureia promove a desnaturação das proteínas que representa o estímulo primário para a esclerose.

O morruato de sódio (solução estéril dos ácidos gordos do óleo de fígado de bacalhau sob a forma sódica) e o sulfato de sódio e tetradecilo são também dois agentes esclerosantes com certo interesse.

Trecho tirado do livro: Técnica Farmacêutica e Farmácia Galênica de NOGUEIRA e PRISTA