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Difenidramina: Indicações, Posologia, Efeitos e Cuidados

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A difenidramina é um medicamento amplamente utilizado na prática clínica, especialmente por suas propriedades anti-histamínicas, sedativas e anticolinérgicas. Presente em formulações orais e injetáveis, ela é indicada para o tratamento de alergias agudas, distúrbios vestibulares, cinetose, vômitos e até mesmo efeitos extrapiramidais induzidos por medicamentos.

O Que É Difenidramina?

A difenidramina é um antagonista dos receptores H1 da histamina, pertencente à classe dos anti-histamínicos de primeira geração. Ela foi descoberta em 1943 por George Rieveschl e aprovada pela FDA em 1946 como o primeiro anti-histamínico de prescrição.

Além de bloquear os efeitos da histamina, a difenidramina possui ação anticolinérgica, o que explica seus efeitos sedativos e sua eficácia no controle de náuseas, vômitos e distúrbios do movimento. Curiosamente, estudos mostraram que ela também inibe a recaptação de serotonina, o que inspirou o desenvolvimento de antidepressivos como a fluoxetina.

Formas de Apresentação e Vias de Administração

A difenidramina está disponível em várias formas farmacêuticas, adaptadas para diferentes necessidades clínicas:

Forma FarmacêuticaApresentaçãoVia de Administração
Comprimidos25 mg, 50 mgOral
Xarope125 mg/5 mL (frasco de 120 mL)Oral
Injetável20 mg/mL (ampola de 1 mL), 50 mg/mLIntramuscular (IM) ou Intravenosa (IV)

A administração oral é indicada para casos leves e uso domiciliar, enquanto a forma injetável é reservada para situações agudas ou hospitalares.

Indicações Clínicas

A difenidramina é indicada para uma ampla gama de condições:

1. Alergias Agudas

  • Rinite alérgica
  • Urticária
  • Conjuntivite alérgica
  • Reações cutâneas
  • Adjuvante na anafilaxia (junto com epinefrina)

2. Distúrbios Vestibulares e Cinetose

  • Vertigem
  • Náuseas e vômitos
  • Enjoo de movimento (cinetose)

3. Efeitos Extrapiramidais

  • Reversão de sintomas como rigidez, tremores e movimentos involuntários causados por medicamentos como metoclopramida

4. Insônia e Tosse

  • Indução do sono em casos de insônia leve
  • Alívio da tosse seca e irritativa

5. Síndrome de Parkinson

  • Em idosos intolerantes a medicamentos mais potentes
  • Como adjuvante em casos leves

Posologia Detalhada

A dosagem da difenidramina deve ser individualizada conforme idade, peso e condição clínica:

Uso Oral

  • Adultos: 25 a 50 mg, 3 a 4 vezes ao dia
  • Crianças (>10 kg): 12,5 a 25 mg, 3 a 4 vezes ao dia
  • Dose máxima diária: 400 mg (adultos), 300 mg (crianças)

Uso Injetável

  • Adultos: 10 a 50 mg por via IM ou IV, podendo chegar a 100 mg se necessário
  • Crianças (>2 anos): 5 mg/kg/dia, divididos em 3 ou 4 doses
  • Diluição: Pode ser diluída em SF ou SG 5–10%, com volume sugerido de 50 mL

Duração e Intervalos

  • Para enjoo de movimento, recomenda-se dose profilática 30 minutos antes da exposição
  • Para insônia, dose única de 50 mg à noite

Efeitos Adversos

Os efeitos colaterais da difenidramina são comuns e geralmente relacionados à sua ação anticolinérgica:

Efeitos ComunsEfeitos Graves
SonolênciaConfusão mental (especialmente em idosos)
Boca secaRetenção urinária
TonturaArritmias cardíacas (raras)
ConstipaçãoVisão turva
Sedação excessivaDelírios ou alucinações (em superdosagem)

A sonolência é o efeito mais frequente e pode comprometer atividades como dirigir ou operar máquinas.

Contraindicações

A difenidramina é contraindicada em diversas situações clínicas:

  • Asma aguda
  • Obstrução do colo da bexiga
  • Hipertrofia prostática
  • Glaucoma de ângulo estreito
  • Insuficiência hepática grave
  • Prematuros e recém-nascidos
  • Lactação e gravidez (sem orientação médica)
  • Hipersensibilidade ao fármaco ou a outros anti-histamínicos similares

Interações Medicamentosas

A difenidramina pode interagir com diversos medicamentos, potencializando seus efeitos sedativos:

  • Benzodiazepínicos
  • Antidepressivos tricíclicos
  • Álcool
  • Opioides
  • Relaxantes musculares

Essas interações aumentam o risco de depressão do sistema nervoso central, exigindo cautela na prescrição.

Mecanismo de Ação

A difenidramina atua como antagonista competitivo da histamina nos receptores H1, bloqueando os efeitos alérgicos. Sua ação anticolinérgica interfere na condução nervosa, o que explica seus efeitos sedativos e antieméticos.

Além disso, ela age no sistema vestibular e no centro do vômito, sendo eficaz contra náuseas e vertigens. Em doses mais altas, pode atravessar a barreira hematoencefálica, causando sedação profunda.

Uso Pediátrico

A difenidramina só deve ser usada em crianças acima de 2 anos. Em menores de 2 anos, há risco elevado de efeitos adversos graves, como depressão respiratória.

A forma de xarope é a mais indicada para crianças, com dosagem ajustada conforme o peso corporal. A dose máxima diária não deve ultrapassar 300 mg.

Uso em Idosos

Em idosos, a difenidramina pode causar:

  • Confusão mental
  • Hipotensão postural
  • Risco de quedas

Por isso, deve ser usada com cautela, preferencialmente em doses menores e sob supervisão médica.

Estudos e Evidências

Estudos mostram que a difenidramina é eficaz no controle de sintomas alérgicos e vestibulares, mas seu uso prolongado pode levar à tolerância e efeitos cognitivos indesejáveis. Por isso, é recomendada para uso pontual e curto prazo.

Em comparação com anti-histamínicos de segunda geração (como loratadina e cetirizina), a difenidramina apresenta maior sedação, sendo menos indicada para uso contínuo.

Referências

  1. INDICE.eu – Informação Geral sobre Difenidramina
  2. Consulta Remédios – Bula e indicações do Cloridrato de Difenidramina
  3. Tua Saúde – Posologia e cuidados com a Difenidramina
  4. Medikamio – Efeitos e farmacologia da Difenidramina
  5. Guia Farmacêutico HSL – Administração e diluição
Tags: Anti-histamínicos
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