Resposta imunológica mediada por anticorpos (humoral)

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Nosso sistema imunológico responde de diversas formas ao ataque. Uma delas é o uso de anticorpos que se ligam à antígenos de determinados agentes invasores. Neste artigo iremos discutir como isso acontece de forma detalhada.

O que são os anticorpos?

Por definição os anticorpos, também conhecidas como gama-globulinas (ou imunoglobulinas, Ig), consistem estruturalmente de uma molécula proteica com uma forma de Y (Fig 1.). Na qual, os “braços” do Y (as porções Fab) são os pontos responsáveis pelo reconhecimento de antígenos específicos, e o tronco do Y (a porção Fc) ativa as defesas do hospedeiro. Eles, em geral, constituem cerca de 20% das proteínas do plasma. A formação de anticorpos acontece nas células B, que têm a capacidade de reconhecer as substâncias ou moléculas estranhas através dos receptores de superfície.

A função dessas imunoglobulinas incluem:

  • Reconhecer e interagir de forma específica com os antígenos (proteínas ou polissacarídeos estranhos ao hospedeiro), e
  • Ativar um ou mais componentes dos sistemas de defesa.

A ativação do o agente invasor pode ser feita de uma das seguintes formas:

  1. Aglutinação, na qual múltiplas partículas grandes, com antígenos em suas superfícies, como as bactérias ou hemácias, são unidas formando grumos.
  2. Precipitação, na qual o complexo molecular do antígeno solúvel (como a toxina do tétano) e os anticorpos ficam tão grandes que se tornam insolúveis e precipitam.
  3. Neutralização, na qual eles cobrem os locais tóxicos do agente antigênico.
  4. Lise, onde os anticorpos potentes ocasionalmente são capazes de atacar de modo direto as membranas dos agentes celulares, causando sua ruptura.
Estrutura e tipos de anticorpos ou imunoglobulinas
Figura 1. Estrutura e tipos de anticorpos.

Quais os tipos de anticorpos

Até os dias de hoje são conhecidas cinco classes principais de anticorpos, nomeadamente o IgG, IgM, IgE, IgA e IgD. Todas elas se diferem entre si pela sua estrutura.

Os anticorpos não diferem apenas em sua estrutura, mas também em sua função. Por exemplo, o IgG, o anticorpo mais comum, está presente principalmente no sangue e nos fluidos dos tecidos, enquanto o IgA é encontrado nas membranas mucosas que revestem os tratos respiratório e gastrointestinal.

A indução das respostas mediadas por Ig’s varia de acordo com o tipo de antígeno. Para a maioria dos antígenos, em geral é necessário haver um processo de cooperação entre as células Th2 e B para que a resposta seja produzida.

As células B também podem apresentar antígenos às células T, as quais, em resposta, liberam citocinas atuantes ainda sobre as próprias células B.

A capacidade de produzir anticorpos tem valor significativo para a sobrevivência Humana. Por exemplo, crianças nascidas sem essa capacidade sofrem repetidas infecções, como pneumonia, infecções cutâneas e tonsilites. Portanto, antes do surgimento dos antibióticos, essas crianças morriam no início da infância, e até hoje elas precisam de um tratamento de reposição regular com imunoglobulinas.

Além de sua capacidade de neutralizar os patógenos, os anticorpos conseguem potencializar a eficácia e a especificidade das reações de defesa do hospedeiro de diversas formas.

O que são anticorpos monoclonais?

Para criar um anticorpo monoclonal (AMon), cientistas vacinam um animal ou, se possível, um ser humano, com o objetivo de estimular a produção de anticorpos contra uma determinada substância. O corpo irá gradualmente produzir anticorpos que são cada vez mais eficazes contra esse antígeno. Essas células produtoras de anticorpos são então colhidas e estudadas para ver quais células se ligam melhor ao antígeno.

A partir daí, essa célula se funde a uma célula cancerosa do sangue, produzindo algo chamado hibridoma. Esse hibridoma, ou monoclone, é um gerador inesgotável exatamente do mesmo anticorpo, indefinidamente.

Essas linhas de células têm uma gama incrivelmente diversa de usos. Existem milhões de anticorpos monoclonais comerciais, que são usados ​​em laboratórios para marcar os menores alvos celulares específicos para estudo.

Os AMons também formam a base de muitos medicamentos de sucesso. Por exemplo, o medicamento adalimumab é um AMon que trata a artrite reumatóide ao inibir uma proteína inflamatória conhecida como citocina.

E na pandemia de SARS-CoV-2, médicos em todo o mundo estão correndo para criar AMon que, com sorte, neutralizarão o novo coronavírus. Esses anticorpos são filtrados do plasma de pessoas que se recuperaram do COVID-19 (também chamado de soro de convalescença).

A esperança é que, isolando os anticorpos mais eficazes e, em seguida, produzindo-os em massa, os médicos possam criar um tratamento que forneça uma imunidade “passiva” temporária até que o corpo possa se recuperar e montar uma resposta eficaz e mais duradoura no seu próprio.

Anticorpos e sistema complemento

O sistema completo pode exercer sua função efetivamente se houver um complexo antígeno-anticorpo formado. Este complexo expõe um local de ligação para o complemento no domínio Fc.

Essa via clássica de ativação fornece uma via especialmente seletiva de ativação do complemento em resposta a um patógeno em particular. Porque a reação antígeno-anticorpo não é só um evento de reconhecimento específico, mas também de íntima associação ao patógeno.

A propriedade de destruição do complemento pode ser empregada no aspecto terapêutico: anticorpos monoclonais e complemento podem ser empregados em associação para livrar a medula óssea de células cancerosas, complementando a quimioterapia ou a radioterapia .

Conheça melhor como é feita a ativação do sistema complemento.

Fagocitose de bactérias

Quando os anticorpos se ligam aos respectivos antígenos presentes nos microrganismos através de suas porções Fab, o domínio Fc é exposto. As células fagocíticas (neutrófilos e macrófagos) expressam receptores de superfície para essas porções Fc projetadas, os quais atuam como uma ligação altamente específica entre o microrganismo e o fagócito.

Citotoxicidade celular

Em alguns casos, a exemplo de parasitas, o invasor pode ser grande demais para ser ingerido pelos fagócitos. As moléculas das Ig’s podem estabelecer uma ligação entre o parasita e os eosinófilos – células de defesa do nosso corpo.

Estas, por sua vez, se tornam capazes de danificar ou destruir o parasita, empreendendo ações em sua superfície ou no meio extracelular.

As células natural killer (NK), aliadas aos receptores Fc, também podem matar as células-alvo recobertas com os anticorpos.

Anticorpos e mastócitos ou basófilos

Os mastócitos e os basófilos possuem receptores para IgE, que é uma forma particular de anticorpo com capacidade de ligação (“fixação”) às membranas dessas células.

Quando o Ig fixo na célula reage com um antígeno, um conjunto inteiro de mediadores farmacologicamente ativos é secretado. Essa reação bastante complexa e é grande de valor para a sobrevivência do hospedeiro.

Mesmo diante dessa constatação, seu significado biológico preciso não está completamente esclarecido, embora se admita que sua importância pode estar associada à atividade do eosinófilo na defesa contra os parasitas.

Quando indevidamente desencadeada por substâncias que não propriamente causam danos ao hospedeiro, é envolvida em certos tipos de reação alérgica, parecendo contribuir mais para a doença do que para a sobrevivência no mundo moderno.

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