Streptococcus spp (estrepetocos): tipos, doenças e toxinas

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O gênero Streptococcus é formado por um grande grupo de cocos Gram-positivos, apresentados aos pares ou em cadeias (diferentemente dos grumos formado por Staphylococcus). Os estreptococcus são esféricos (Figura 1.), com l a 2 μm de diâmetro, dispostos em cadeias curtas ou longas, dependendo do meio de cultivo. A maioria das espécies é anaeróbia facultativa, e algumas crescem somente em uma atmosfera enriquecida com dióxido de carbono. Geralmente, necessitam do uso de meios enriquecidos com sangue ou soro para o isolamento. Fermentam os carboidratos, o que resulta na produção de ácido lático e, ao contrário das espécies de Staphylococcus, os estreptococos são catalase-negativos.

Streptococcus de importância Clínica

Streptococcus pyogenes em coloração de Gram
Figura 1. Estrutura de um estreptococo em coloração de Gram

A classificação das espécies dentro do gênero Streptococcus é muito complexa. Mas, costuma ser utilizado três diferentes esquemas que se complementam:

  • Propriedades sorológicas: separação nos grupos de Lancefield (originalmente de A a W);
  • Padrões hemolíticos: hemólise completa (beta), hemólise incompleta (alfa), e sem hemólise (gama); e
  • Propriedades bioquímicas (fisiológicas).

Apesar de representar uma simplificação excessiva, é prático dividir os estreptococos em dois grupos:

  1. Os estreptococos β-hemolíticos, que são classificados nos grupos de Lancefield, como S. pyogenes, S. agalactiae, S. dysgalactiae e S. angionus; e
  2. Os estreptococos α-hemolíticos e γ-hemolíticos, que são classificados por testes bioquímicos. O segundo grupo é conhecido coletivamente como estreptococos viridans, um nome derivado de viridis (do latim para “verde”), em referência à pigmentação verde formada pela hemólise parcial do ágar-sangue.

À seguir, iremos descrever na generalidade algumas dessas bactérias, que talvez conheçamos. Iremos lembrar principalmente das doenças que causam, sua virulência ou toxina.

Streptococcus pyogenes (Grupo A)

Na maioria das vezes, esses cocos costuma causar infecções supurativas (com provável formação de pus), que incluem:

  • Faringite: faringe avermelhada, geralmente com presença de exsudato; pode ser proeminente uma linfadenopatia cervical;
  • Escarlatina: erupção eritematosa difusa, iniciando no tórax e se espalhando para as extremidades; complicação da faringite estreptocócica;
  • Piodermia: infecção localizada da pele com vesículas que progridem para pústulas; sem evidências de infecção sistêmica;
  • Erisipela: infecção localizada da pele com dor, inflamação, hipertrofia dos linfonodos e sintomas sistêmicos;
  • Celulite: infecção da pele que envolve o tecido subcutâneo;
  • Fascite necrosante: infecção profunda da pele que envolve destruição do músculo e das camadas de gordura;
  • Síndrome do choque tóxico estreptocócico: infecção sistêmica que atinge múltiplos órgãos, semelhante à síndrome do choque tóxico estafilocócico; no entanto, a maioria dos pacientes apresenta evidências de bacteremia e fascite.

Noutros casos, é possível que estes estreptococos causem sepse puerperal, linfangite e pneumonia. Assim como algumas doenças não supurativas como:

Streptococcus do grupo B ou S. agalactiae

Esses tipos de cocos podem causar:

  • Doença neonatal de início precoce: ocorre dentro de sete dias após o nascimento, recém-nascidos infectados desenvolvem sinais e sintomas de pneumonia, meningite e sepse;
  • Doença neonatal de início tardio: ocorre em bebês com mais de uma semana, que desenvolvem sinais e sintomas de bacteremia com meningite;
  • Infecções na mulher grávida: apresentam-se mais frequentemente como endometrite pós-parto, infecções de feridas e infecções do trato urinário; bacteremia e complicações disseminadas podem ocorrer;
  • Infecções em outros pacientes adultos: as doenças mais comuns incluem bacteremia, pneumonia, infecções em ossos e articulações e infecções da pele e de tecidos moles

Outros Estreptococos β-Hemolíticos

Os streptococcus beta hemolíticos são capazes de causar formação de abscessos em tecidos profundos e faringite.

S. Viridans

As principais doenças causadas por este tipo destreptococo são:

  • Formação de abscessos em tecidos profundos
  • Sepse em pacientes neutropênicos
  • Endocardite subaguda
  • Cárie dentária
  • Malignidade do trato gastrointestinal
  • Meningite

S. pneumoniae

Como o nome indica, a pneumonia é a principal doença causada por essa bactéria. Geralmente, a doença tem um início abrupto, com calafrios intensos e febre persistente; tosse produtiva com escarro sanguinolento. Além da pneumonia, Streptococcus pneumoniae pode causar:

  • Meningite: infecção grave envolvendo as meninges, com dor de cabeça, febre e sepse; elevada taxa de mortalidade e sequelas neurológicas graves nos sobreviventes;
  • Bacteremia: mais comum em pacientes com meningite do que com pneumonia, otite média ou sinusite.

Toxinas

Os Streptococcus lisogênicos geralmente produzem exotoxinas pirogênicas estreptocócicas (Spe), que são são similares à toxina produzida por Corynebacterium diphteriae (ver difteria). Já foram identificadas quatro toxinas difrentes para S. pyogenes e em raras cepas de estreptococos dos grupos C e G.

Contudo, as toxinas agem como superantígenos, interagindo tanto com macrófagos como com células T auxiliares, aumentando a liberação de citocinas pró-inflamatórias. Por isso que se acredita serem elas responsáveis pelas manifestações clínicas das doenças estreptocócicas graves.

Além dessas toxinas, foram identificadas várias enzimas que podem causar danos no nosso organismo. São elas estrptolisinas, estreptoquinases e desoxirribunucleases.

A estreptolisina podem ser do tipo S ou O. O do tipo S é uma hemolisina ligada à célula, estável ao oxigênio e não imunogênica, que pode lisar eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Ela é produzida na presença de soro e é responsável pela β-hemólise.

Enquanto a estreptolisina O é uma hemolisina sensível ao oxigênio e capaz de lisar eritrócitos, leucócitos, plaquetas e células em cultura. Ela é antigenicamente relacionada às toxinas lábeis ao oxigênio produzidas por Streptococcus pneumoniae, Clostridium tetanii, Clostridium perfringens, Bacillus cereus e Listeria monocytogenes.

Os dois tipos de estreptoquinase (A e B) são conhecidas como enzimas capazes de mediar a clivagem do plasminogênio, liberando a protease plasmina que, por sua vez, cliva a fibrina e o fibrinogênio. Dessa maneira elas podem destruir coágulos sanguíneos e depósitos de fibrina e facilitar o rápido espalhamento do Streptococcus pyogenes nos tecidos infectados.

Por fim e não menos importante, as deoxirribonucleases não são citolíticas, mas podem despolimerizar o DNA livre presente no pus. Este processo reduz a viscosidade do material do abscesso e facilita a disseminação dos microrganismos.

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