1. Página inicial
  2. Bulas de medicamentos
  3. Canamicina, sulfato: usos, efeitos secundários e interações

Canamicina, sulfato: usos, efeitos secundários e interações

A canamicina é um antibiótico usado para tratar infecções bacterianas graves. O seu uso é feito geralmente a curto prazo (6 a 10 dias). A canamicina tem espectro de acção semelhante ao da gentamicina podendo ser utilizada no tratamento de infecções por gram-negativos susceptíveis e nas infecções por Stafilococus quando não houver a gentamicina. Além disso, a canamicina costuma ser usado como medicamento de 2ª linha no tratamento da tuberculose multidrogaresistente.

A canamicina pode ser encontrado em ampolas injetáveis de 1 g/3 mL. Geralmente é administrado pela via intramuscular (IM) ou pela perfusão endovenosa (EV).

Este medicamento deve ser administrado apenas por ou sob a supervisão imediata do seu médico. Ele não tem efeito para resfriado, gripes ou outras infecções virais.

Mecanismo de ação

A canamicina é um antibiótico aminoglicosídeo isolado de Streptomyces kanamyceticus. Seu principal componente é a canamicina A. Este antibiótico age se ligando à subunidade 30S do ribossomo bacteriano, causando uma leitura incorreta do t-RNA, deixando, portanto, a bactéria incapaz de sintetizar proteínas vitais para seu crescimento. A canamicina é útil principalmente em infecções envolvendo bactérias aeróbias Gram-negativas, como Pseudomonas, Acinetobacter e Enterobacter.

Estrutura química da kanamicina e sua eficácia nas cepas bacterianas

Doses da canamicina

Geralmente a kanamicina para os adultos são administrado 500 mg IM a cada 12h; ou 15 30 mg por kg de peso por dia, que pode ser dividido em 2-3 doses diárias, em perfusão EV. No entanto, não se deve passar de 1,5 g/dia.

No caso das crianças, são prescritas 15-20 mg /kg/dia divididos em 2-3 doses diárias. Os recém-nascidos com conjuntivite neonatal, os médicos costumam prescrever 25 mg/kg IM em dose única.

Quando houver necessidade de tratar a tuberculose multidroga-resistente, podem ser necessárias doses entre 500 e 1000 mg/dia, por via IM profunda, de nos cinco dias úteis da semana, com repouso aos fins de semana. Este medicamento pode ser útil no tratamento da tuberculose resistente a vários medicamentos.

Além disso, pode ser útil numa dose única de 2 g IM no tratamento da gonorreia sensível.

Efeitos adversos

Por ser um aminoglicosideo, a canamicina comunga os mesmos efeitos adversos que a gentamicina e a amicacina. Portanto, as reações adversas mais comuns incluem:

  • nefrotoxicidade (toxicidade nos rins),
  • ototoxicidade (surdez bilateral e permanente),
  • parestesia,
  • convulsões,
  • tontura,
  • náusea,
  • vômito,
  • ataxia,
  • instabilidade para andar.

As reações ocasionais podem ser a erupção cutânea, febre, dor de cabeça, tremor, eosinofilia, hipotensão, artralgia, anemia, problemas no fígado. No entanto, raramente podem ocorrer depressão respiratória, fraqueza muscular, hipomagnesemia em tratamento prolongado, colite associada a antibióticos, estomatite e muito raramente neurotoxicidade central, como encefalopatia, letargia, confusão, alucinações.

Contraindicação

Este medicamento é contraindicado em casos de hipersensibilidade aos aminoglicosídeos (lê o artigo). Miastenia grave.

Precauções

Como regra, evitar tratamentos por mais de 6 dias e não exceder os 10 g como dose total. No entanto, ele deve ser evitado ou usado com cuidado nalgumas situações, principalmente se o paciente tiver:

  • Asma
  • Problemas musculares (por exemplo, botulismo infantil)
  • Desidratação, hipovolemia, insuficiência cardíaca: risco aumentado de nefrotoxicidade. 
  • Miastenia gravis (fraqueza muscular grave): risco de bloqueio neuromuscular.
  • Doença de Parkinson – use com cautela. Pode piorar essas condições.
  • Doença renal. Os efeitos podem ser aumentados devido à remoção mais lenta deste medicamento do corpo.

Os recém-nascidos e idosos apresentam maior risco de toxicidade. Nos idosos o risco é maior para ototoxicidade / nefrotoxicidade. Portanto é aconselhável monitorar a função renal e a dose ajustada em conformidade.

Em caso de fibrose cística e queimaduras, são necessárias doses mais elevadas e intervalos de administração mais curtos, sendo preferível medir as concentrações plasmáticas.

Administrar com cautela em casos de: botulismo infantil, parkinsonismo, comprometimento do VIII par craniano.

Em casos da obesidade se deve estimar a dose com base no peso ideal mais o fator de correção, sendo preferível medir as concentrações plasmáticas.

Interações medicamentosas

É correto sempre verificar se você está está tomar outros medicamentos e notificar ao seu médico. Porque os medicamentos podem interagir entre si e produzir efeitos aumentados ou reduzidos, ou mesmo produzir algum efeito tóxico. Abaixo colocamos uma lista de medicamentos que podem interagir com a canamicina.

  • Furosemida e ácido etacrínico: o risco de ototoxicidade é aumentado.
  • Anfotericina B, ciclosporina, cefaloridina: aumenta o risco de nefrotoxicidade.
  • A indometacina aumenta os níveis séricos de canamicina em neonatos.
  • O uso concomitante com anticoagulantes pode aumentar o efeito hipotrombinêmico.
  • Com os bifosfonatos, o risco de hipocalcemia pode ser aumentado
  • Éter, holatan, d-tubocurarina, succinilcolina, toxina botulínica: a administração intraperitoneal de aminoglicosídeos aumenta o risco de bloqueio neuromuscular.
  • O antagonismo pode ser estabelecido se a canamicina for usada com neostigmina ou piridostigmina.
  • Antibióticos do tipo penicilina: diminuem a atividade dos aminoglicosídeos em pacientes com insuficiência renal.
Leia mais sobre:

Compartilhe este artigo

Autor

Mais lidos

Menu