Malária: causas, sintomas e tratamento em Moçambique

Saúde
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Em Moçambique, a malária ou paludismo afeta mais mulheres grávidas e crianças. A malária é uma doença infecciosa transmitida por mosquito, pertecente ao género Anopheles que insere, através de uma picada, um dos protozoários parasitas do género Plasmodium.

As espécies associadas à malária humana são: Plasmodium falciparum, P. vivax P. malariae e P. Ovale. Estes parasitas“preferem” depositar-se e desenvolveren-se no fígado, de onde são espalhados por todo o organismo por meio da circulação sanguínea.

No sangue estes parasitas reproduzen-se nas hemácias, que são as células vermelhas do sangue. Durante este processo as células vermelhas sofrem a lise, isto é, são destruidas. Essa fase acontece geralmente em  48 horas.

A malária é atualmente endémica nas regiões equatoriais, em regiões da América, algumas partes da Ásia e grande parte de África. Entre 85 e 90% das mortes por malária ocorrem na África subsariana.

A malária representa 45,0% de todos os casos observados nas consultas externas em Moçambique e aproximadamente 56,0% de internamentos nas enfermarias de pediatriaa.

Segundo o último inquérito demográfico de saúde realizado em 2011 (IDS 2011), a prevalência da malária em crianças de 6 a 59 meses é de 35,1%, sendo as províncias da Zambézia e Nampula aquelas com as mais elevadas prevalências (55,2% e 42,2%) e Maputo Cidade e Maputo Província, as mais baixas (2,5% e 4,8%).

Sinais e sintomas

Antes de avançarmos e falarmos dos sinais e sintomas gostaríamos de dividir a malária em complicada ou Grave e não complicada, assim passamos a descrever o quadro clínico dos diferentes tipos.

Malária não complicada

A crise aguda da enfermidade caracteriza-se por episódios de calafrios, febre e sudorese. Têm duração variável de 6 a 12 horas e pode cursar com temperatura igual ou superior a 40ºC.

Em geral, esses paroxismos são acompanhados por cefaléia, mialgia, náuseas e vômitos. Após os primeiros paroxismos, a febre pode passar a ser intermitente.

O quadro clínico do paludismo pode ser leve, moderado ou grave, na dependência da espécie do parasito, da quantidade de parasitos circulantes, do tempo de doença e do nível de imunidade adquirida pelo paciente.

As gestantes, as crianças e os primoinfectados estão sujeitos a maior gravidade, principalmente por infecções pelo P. falciparum, que podem ser letais.

Malária Grave

Em casos da malária grave, o paciente poderá apresentar os seguintes sinais ou sintomas: Prostração, alteração da consciência, dispnéia ou hiperventilação, convulsões, hipotensão arterial ou choque, edema pulmonar ao Rx de tórax, hemorragias, icterícia, hemoglobinúria, hiperpirexia (>41ºC) e oligúria.

Ainda alguns dados podem ser considerados quando for necessária a confirmação laboratorial. Assim, os seguintes dados podem estar alterados da seguinte forma: anemia grave, hipoglicemia, acidose metabólica, insuficiência renal, hiperlactatemia e hiperparasitemia.

Complicações

A malária grave caracteriza-se por um ou mais desses sinais e sintomas:

  • prostração;
  • alteração da consciência;
  • dispnéia ou hiperventilação;
  • convulsões;
  • hipotensão arterial ou choque;
  • hemorragias, entre outros.

Como é feio o diagnóstico da malária?

O diagnóstico correto da infecção malárica só é possível pela demonstração do parasito, ou de antígenos relacionados, no sangue periférico do paciente, pelos métodos diagnósticos especificados a seguir:

  • Gota espessa. Sua técnica baseia-se na visualização do parasito por meio de microscopia óptica, após coloração com corante vital (azul de metileno e Giemsa), permitindo a diferenciação específica dos parasitos, a partir da análise da sua morfologia, e dos seus estágios de desenvolvimento encontrados no sangue periférico.
  • Esfregaço delgado. Este método permite, com mais facilidade, a diferenciação específica dos parasitos a partir da análise de sua morfologia e das alterações provocadas no eritrócito infectado. Mas, é 30 vezes menos eficaz que gota espessa.
  • Testes rápidos. Testes rápidos para a detecção de componentes antigênicos de plasmódio – testes imunocromatográficos representam novos métodos de diagnóstico rápido de malária. São realizados em fitas de nitrocelulose contendo anticorpo monoclonal contra antígenos específicos do parasito. Por sua praticidade e facilidade de realização, são úteis para a confirmação diagnóstica, no entanto seu uso deve ser restrito a situações onde não é possível a realização do exame da gota espessa por microscopia.
  • Técnicas moleculares. As técnicas moleculares mais utilizadas para o diagnóstico da malária são o Nested PCR ou PCR convencional e o PCR em tempo real. No entanto, em virtude do custo elevado, da necessidade de infraestrutura e mão de obra especializada seu uso ainda é restrito a laboratórios de referência. As técnicas de PCR são mais sensíveis e específicas quando comparadas às técnicas microscópicas e ao teste imunocromatográfico, portanto com capacidade de detecção do parasito em pacientes com baixa parasitemia, mas a interpretação dos resultados positivos ainda é discutida.

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Tratamento da malária em Moçambique

Qualquer tratamento deve ser precedido de um bom diagnóstico e um diagnóstico precoce e o tratamento correto e oportuno são os meios mais adequados para reduzir a gravidade e a letalidade.

Pela inespecificidade dos sinais e sintomas provocados pelo Plasmodium, o diagnóstico clínico não é preciso, pois outras doenças febris agudas podem apresentar sinais e sintomas semelhantes, tais como a dengue, a febre amarela, a leptospirose, a febre tifóide e muitas outras.

Dessa forma, a tomada de decisão de tratar um paciente por malária deve ser baseada na confirmação laboratorial da doença, pela microscopia da gota espessa de sangue ou por testes rápidos imunocromatográficos.

O Tratamento é feito com agentes antimaláricos que podem, geralmente, conduzir a uma recuperação completa. As Drogas que são usadas para impedir a malária nos viajantes são igualmente úteis no tratamento da malária.

Às Vezes uma combinação de antimaláricos diferentes pode ser prescrita para superar as tensões da malária que se tornaram resistentes aos únicos tipos de medicação.

A medicação antimalárica é dada geralmente como comprimidos ou cápsulas. A admissão de Hospital é necessário para pacientes severamente doentes. Há diversos tipos de agentes antimaláricos usados para impedir e tratar a malária. Alguns deles, entre outros, são:

  • Artemeter + Lumefantrina;
  • Primaquina;
  • Cloroquina;
  • Doxiciclina (usado em combinação com o quinin)
  • Quinina

É de referir que qualquer medicação deve ser consultada ao médico. Não tome esses remédios sem prescrição médica.

Medidas de prevenção

A malária ainda constitui um dos maiores problemas de saúde pública de Moçambique, sendo as maiores vítimas as mulheres grávidas e as crianças menores de 5 anos. Esta infeção continua a ser a principal causa de morte infantil em Moçambique. Neste sentido, as medidas de prevenção que listamos a seguir podem ser úteis no combate.

  • uso de redes mosquiteira;
  • roupas que protejam pernas e braços;
  • telas em portas e janelas;
  • uso de repelentes;
  • borrifação intradomiciliar;
  • drenagem;
  • pequenas obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor;
  • aterro;
  • limpeza das margens dos criadouros;
  • modificação do fluxo da água;
  • controle da vegetação aquática;

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